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25.4.09

já pedri noção da hora de esperar..

22.4.09

vida é o trânsito. organismo concreto e vivo das pessoas. tudo que corre vive! e todos corremos. pra bater nos outros. ou fugir disso. eu até tento parar. olhar as luzes de todas as esquinas e os barulhos sonzinhos do movimento. é uma intensidade que não cansa. que só move. que não pensa. que distorce.

eu pulo seguindo sentidos alheios!

20.4.09

eu vou largar tudo
escrever um romance em são paulo
viver de concreto e vinho

e tantos passeios
ventos frios
uma rima que não vai faltar

e nem as noites de alegria
nem as manhãs de ressaca
vão ser assim intensas
pra me balançar

17.4.09

não sei se preguiçoso ou se covarde..

16.4.09

passado dos corpos

se tu já tem outros braços
ao menos pare
de me oferecer os teus
prum abraço qualquer
num desses encontros casuais

preu nem lembrar
como é que os quatro
se sentem juntos

preu não precisar
me esforçar
pra não caber

preu não sentir tremer
quando eles,
mais uma vez,
sem nem se juntar
se separam

15.4.09

escorrer lhe pareceu tão fácil.natural, até. que achou que seria melhor. liquidar-se de vez. esquecer da vontade. de vapor. de concreto. de sublimar. e à vontade do acaso. não ser. escorrer.

14.4.09

fui voltando. e voltando a ver as coisas. de um jeito, ao mesmo tempo, novo e usual. via como me acostumei a não ver, desde um certo dia de encontro com o sol. ia e via como são bonitas as belezas de todos os dias. as belezas das quais a gentese esconde. pra não ver. e fica achando que são elas que não se mostram. que se deixam perder.

voltei a ver. por trás das folhas. bem por cima de qualquer árvore de esquina. nos pés que têm chão. nauqele ar que a gente respira. sem preceber soprar. as coisas que tinha esquecido de reparar.

e nesse epifania de auto-ajuda ocular andei em ver.

e vi brilhos e transparências. e cores tão cheias de azul e vermelho. que o ar me soprou os pulmões. e o corpo todo. que levitei. no meio las luzes. no meio da manhã. e não fiquei asism.

12.4.09

grão

areia no pé
na mão

é um grão
e é tudo o que pode ser
ponto

é a vida que cabe aqui

8.4.09

arquivo antigo

the hands
they already know what to do
and even if they're as blind as our eyes,
they never forget where to find

a place to start.

6.4.09

talita me veio encontrar
numa rua em que passava desatento
trazia no rosto, dessa vez,
o mais aberto dos sorrisos

me levou para casa
me falou da vida
e me abriu as pernas

como em outras noites
me recebeu no corpo
pela primeira vez
no sorriso

em nenhum me quis habitante

ela me abriu então a porta
(com o sorriso
já não sabia mais o que fazer)

não me disse até logo.
eu também em silêncio
lhe dei um beijo no rosto
e segui

talita não é pessoa de ser metade
eu não sou pessoa de ser um

talita e eu fazemos de conta

5.4.09

tem dias que pulam a gente. palavras que passam pelo tempo. gente que prende o olho. belezas que fazem brilhar. e tem tanta coisa queu já sei. mais uma besteira que fiz.

lâmina

corto. o fio invisível. da minha cabeça àquele corpo. rasgo. o resto do papel que fiz. e até as pedras. vejo queimar. e achando que sou vapor. vento. voo. risco o ar. tão depressa. tão sem força. qu quase explodo. no meio do todo azul. e todos os meus sentidos são um. e me deixo fluir.

corto os fios e a carne. penetro o ar.

3.4.09

o calor é a água que sai de mim. que me tira a calma de existir sem pressa. que me imprensa. me aperta. entre as decisões já tomadas. e no meio do sufoco eu me vejo de novo. e penso. de que servem as certezas de uma dia quente. desse verão vazio. que não acaba.

2.4.09

sopro

minha matéria se faz pó
voa
cinza no céu
e cai
despenca balde de areia
avião de papel
chão

destino de todo corpo
que vive
ou slata
que parte
fica?

não me pergunto
sei como seguir
arrasto o braço
arranco o que resta dali
seguro com força
cuidado

levanto
abro a mão e sopro

1.4.09

das coisas que sei

eu sei de tudo. e não ligo pra isso. me conforta saber que não adianta fazer nada. me acalma descobrir que não posso. não vou esquecer. nem vou lembrar. não vou fazer as pazes com chico. nem vou brigar com mais ninguém. eu sei de tudo. e brinco com minha própria sorte.

31.3.09

eu conto os tempos em vão. todos os dias me vêm com uma dor de cabeça. e aquela certeza queu não aceito. um mantra. uma falta de jeito. uma força. o coração bate. um compasso frouxo de não caber. desmorono.

eu perco o estilo.

30.3.09

terceiro

eu não tenho mais vergonha. não tenho certeza de nada. mas continuo. automático. passo por passo. caminho. sei que seguir é meu início. mas ainda olho pra trás. dias. palavras. pedras. e sinto o peso que perdi e carrego. é pesado o corpo que arrasto. pesada a lembrança que levo.

piso na terra sem sentir meus ombros.
"your day breaks, your mind aches, you find that all her words of kindness linger on
when she no longer needs you.
[...]
your day breaks, your mind aches, there will be times when all the things she said will fill touy head
you won't forget her."

McCartney escreve, mas quando caetano canta eu sinto!

29.3.09

outro

Karina Buhr cantava a minha falta de vontade. durmi. passei o tmepo de uma noite, como se tivesse bocejado. fui acordado por aquele pássaro sem nome. pelo balanço das asas no ar. ele não pousou. nem cantou. não me disse nada. não tivesse sido acordado por aquelas asas e ele passaria desapercebido; como provavelmente passou por tantas outras janelas nessa manhã de domingo.

perdi a vontade de me perder.

28.3.09

ando de um lado pro outro sem fazer barulho. passo o olho pelos lados. e sei que vou passar. cinco minutos atrás e era dia. todo o tempo do meu silêncio. e todo o resto. ficam.

e eu não sei o que fazer com essa noite.

27.3.09

segundo

é o mesmo dia. acordo com a mesma preguiça. chuveiro, fruta, sol. tudo se repete como num ensaio bem executado. eu sigo. vivo. refaço. as mesmas coisas. um mesmo texto. outro caetano. rotina.

eu poderia querer pular o dia de hoje. mas não resisto à perfuração

26.3.09

esses são versos de prefácio
são primeiros passos
para um descaminho

em que não cabe mais o sol ou o vento
em que se esquece o som, a razão e o sentimento

são do muito que se descobre perdido
do tanto de verdade que se esconde cá dentro
são de mim
(e talvez/mas não) por isso pequenos

25.3.09

ainda pequeno, bem novo, aprendi a entender. bem antes de tudo. e esqueci. crescendo descobri que sentia. muito. e me perdi. hoje é a verdade que me balança. é o queu aceito. é o que me alcança.

24.3.09

de linha

eu quero ver o que me joga fora. o que me desconsola. pra jogar pro ar. pra brincar. eu quero tocar esse sol. pra controlar nele as erupções que provoco. pra ouvir o som do queimar queimando. por um momento de olhar. e ver viver. entornar. e viver ver.

irradiar vento.

23.3.09

sinto que o sol entrou em mim. e fez morada. não pra aquecer e brilhar. fez queimada. vermelho tudo que não era. cinza o que já estava. vapor. nas bordas eu sinto me deixar o que já foi azul. e hoje seca. um desenho cortante que quero ver terminar.

ardor.

22.3.09

"eu meço no vento
o passo de agora

e o próximo instante, eu sei, é quase lá"

(m. camelo)

505

é o calor. que me faz querer ficar naquela coisa. de não seguir. me ocupo com o suor. com as gotas que não quero verter. com o que quero correr. com os tempos que não controlo. e aí descontrolo. e mesmo quando bate o frio. ainda que rápido. só um sopro. deixo passar.

congelo em vez de inspirar.

21.3.09

de volta

trasnformo em nuvem o que não quero ver. giro. contorço. refaço. procuro no azul a minha cor. faço-a pingar. pra ver escorrer. pra me transcorrer. me sujar as mãos e limpar o corpo. pra me cobrir daquela sombra. e depois descascar. desinsolar.
eu hoje escorro!

20.3.09

olho. a janela fechada e azul não me diz nada. aperto o olho. encaro. escancaro-a. para ver o que esconde em toda aquela luz que não me deixa passar. procuro absorver em cada poro o vapor do ar que não corre. que para. que inunda o quadrado da janela. depois transformo tudo num suor ao contrário.

quero o avesso do vento dentro da pele.

19.3.09

de sétimo dia

uma folha cai
seca
da árvore

vejo um pássaro qualquer
queu não sei o nome

e tudo passa por mim
sombra, formiga, varanda

maisum dia
sem cerimônia

mais um dia
pra guardar lembrança

17.3.09

de carnaval

não era março nem inverno
mas a chuva caía ainda
calma e fria
como um último banho
de descanso e folia
antes das cinzas

16.3.09

a merda do efeito dominó é achar que foi você a primeira pedra que caiu e fez todo o desenho desandar antes de pronto.

14.3.09

pneumotórax

o rato tinha razão ao falar. essa vida é mesmo a mais marota! já gosta de dar voltas. a gente até para. respira. e depois continua. filosofia de bicho-gente. que num cansa de se reanimar. mesmo quando nem o tango argentino parece ajudar. a gente levanta a mão. e pede o prato do dia.

13.3.09

inspira
expira

enche
esvazia

diástole
sístole

relaxa
flexiona

vida
vida

12.3.09

"deixar pra trás
sais e minerais
evaporar"

(rodrigo amarante)

9.3.09

febre

dia sem chuva. fico em casa. não faço a barba. não tardo. deito. durmo. esqueço. assisto filmes ruins. não penso no quê mais. vejo a poeira levantar e baixar nos meus olhos. dentro das iris. vejo-a solidificar. prensar. desenterrar as peças que vejo cair. vejo mas não não monto. não mexo. não me mexo. nem penso.

preciso mesmo é parar de frescura.

daqui..

daqui do meu canto
eu conto minhas saudades
e tento soprar
algumas tristezas
pra longe

daqui eu vejo
as coisas todas que perdi
mas que não espero ver voltar

olhoatento para o caminho
tentando lembrar um jeito
de seguir adiante

de dar mais um passo
na direção do pé
na direção da fé
que tenho
nem sei mais em quê

daqui
eu sinto o vento:
ar que passa correndo
sem nem notar o tempo
que deixa passar

6.3.09

"vida doce"

piso fora do quadro. saio do quadrado. ando pelas linhas. deixo-as cair. sobrevoo. pulo. contra a vontade do chão. com o impulso da mão. com a força que nem tenho. com a certeza de que não sei quando parar. de que não sei onde quero chegar.

termino pra começar.

1.3.09

choro hoje
pra sambar amanhã
pra quando a noite chegar
pra quela me ache disposto,
pronto pra sorrir

lindo. com a vida na mão.
com a fonte jorrando o azul de todas as cores
com o pé no chão
sentindo o amor no mundo.

27.2.09

acorda pra pensar no dia. na vida. no que vai fazer. deixa tudo pra lá. vai buscar uma identidade perdida. perde o passe. perde a saída. esquece o que pode ser. o que quer dizer. registra o que sempre soube. descobre o que já conhecia. faz do caminho de todo dia um passeio de vida. se vê no meio de deusas que pensava mortas. vê suas belezas e forças com o cuidado de quem tem medo não ver mais nada na vida. vai pra casa voltar à rotina. vai pra casa deitar na cama e sorrir.

vai pra casa para sair de si.

20.2.09

fez-lhe bem aprender a lidar com a casualidade. não querer. não dizer. não fazer.
não.
apostar numa indiferença diferente. num deixar que esquece que se deixa. num olhar bem longe que sabe onde está. para ele, talvez, essa seja a melhor atitude. sua ausência.

19.2.09

19 quase igual
18 casual

18.2.09

CASUAL

CASUAL, adj. 2 gên. Que depende do acaso; que acontece por acaso; fortuito; acidental; ocasional. (Do lat. casuale)
18 casual

16.2.09

vamos fazer de conta!

4.2.09

muitas vezes eu calo. fico comigo. não. vejo os emails. os recados. as "fotos comigo". sorrio. deixo uma mensagem na memória, sabendo que, memso que queira, não vou esquecer. depois de solquente e decisões, as cores. as cordas. os barulhos não-harmônicos.

queria mesmo um descanso das propagandas de carro.

3.2.09

português-inglês

passa dia. uma tarde. chuva. tosse. e a tela desce no computador. é muita dor de cabeça. é muita página descendo. tanta linha que falta. e eu, que num sei mais de nada. eu, que só penso na máscara de sexta-feira. e na do próximo sábado. esqueço as de todos os dias. sigo pessoas. sou seguido por quem menos esperava. sou esquecido.

lembro da minha vida dos outros. durmo.

13.1.09

quase não sobra nada

"sobram algumas palvras perdidas
desacompanhadas
sobra um pedaço perto do fim

sobra uma volumosa e amarga demência
sobra o tempo
passou"

fabio trummer e junio barreto

6.1.09

de novo

toda estrela tem sua história
que a maré apaga
no seu leva e traz
em marcha ré

23.11.08

sinal fechado. o carro parou. entre a locadora e o lava-a-jato, ela olhou pros dois lados. olhou pra frente. depois das ruas, o mar. prédios altos e um céu teimosamente nublado entre eles. precisava fumar. cadê o cigarro. no porta luvas, não. na bolsa., embaixo do banco. puxa debaixo do banco para o colo. mexe e volta. pra quê diabos serve uma bolsa desse tamanho?! olhou pro semáforo. demora mais quando a gente tem pressa.

branco. um guardanapo amassado em forma de flor. besteiras dele. ainda ali. como os barquinhos, pássaros, aviões que fazia com todo pedaço de papel que encontrava. nota fiscal, panfleto, guardanapo. incrível como não podia controlar. uma mania absurda. abandonava qualquer conversa pras fazer as estúpidas dobraduras. e as deixava em todo lugar. na mesa do bar, nas janelas, no bolso da camisa.

uma buzina. o sinal está verde. larga a bolsa no colo. parte. dobra à esquerda e segue paralela à praia. outro sinal. agora, o cigarro. acende, abre a janela. pega a pequena flor. branca, amassada. a mão a segura do lado de fora. e depois solta. o carro anda, a flor pequena voa na fumaça cinza dos escapamentos.

21.10.08

pegou o pincel que ficava escondido numa das muitas gavetas do armário. e as tinatas. verde. azul. vermelho. em frente ao espelho, pintou. em todas as direções. sentido. passava a tinta como se limpasse a alma. como se colorisse os olhos. como se gozasse a dor. olhou. não viu senão o cinza. o memso cinza de todas as coisas.

sentiu ainda na boca o gosto da fumaça que transpirava.

13.10.08

nesse teu balanço eu ia
fazia minha vida nessa calmaria
no teu abraço de mar
nesse teu beijo de brisa
nessa maré boa de se deixar flutuar

12.10.08

10.10.08

esperou. esperou. quis abrir novamente a cortina do quarto. antes branco, agora cinza. quis derreter a solidez das paredes. quis desfazer as fumaças da vida. queria memso ver azul. queria mesmo ver sentir. algo mais que a suspensão das sombras das folhas.

parecia firme quando caiu.

3.10.08

cinza é o corpo da fonte.
cinza meu corpo. minha fonte.
a nuvem.
o queu tenho de concreto e fumaça.
a água.

cinza o meu papel.
minha parte. minha letra.
a chave.
o queu achei que sabia e desconheço.
cinza.
como chegou em casa ficou até dormir. horas depois. molhado. acordou nublado e cinza. cinza o jornal que fingiu ler. cinza o café que não tomou. cinza a fumaça do cigarro que tia fumava na janela da sala. fumaça suspensa. densa. como a fumaça no quarto cinza. voltou para a cama. fechou a cortina. esperaria a chuva cair novamente.

esperava a hora em que ia pingar.

2.10.08

mais uma vez ele saiu. teimou naquela idéia. de se vestir. sair. e investir contra o cinza que se suspende no céu. no lugar do sol. achou que poderia encontrar uma brecha. um raio. mas achou um pingo. depois outros o acharam. voltou pra sua casa cinza.

ficou em casa molhado e cinza e suspenso como o dia.

1.10.08

depois de vinte e dois de setembro ele saiu de casa. o quarto deveria, agora, parar de flutuar. a cortina não iria mais impedir o sol de entrar. saiu e procurou as flores. saiu pra ver se via o sol. viu, na mesa branca do bar pequeno, as nuvens que de novo cobriam as árvores e o céu. misturando sombra e e chuva. o toró ainda cai! deicidiu que seria pra ele também, como f disse: outubro ou nada.

pra que serve um solstício se minha primavera não chega.

22.9.08

não era tanto o som
mas o eco de um violão
que o fazia acordar
todas as noites
às três e quarenta da manhã

pr aligar e desligar a tevê azul
pra sentar e deitar
virar e virar e desforrar o lençol da cama
e não pensar mais em nada

só ouvindo ecoar
o som das cordas espessas
presas
indo e voltando
batendo
nas paredes nas quinas nos cantos
daquele quarto vazio

flutuante

21.9.08

aí você acorda. olha pela janela. olha pro relógio do som e vê que não dormiu. vê que quem dorme ao teu lado é a mesma pessoa que estava ali na semana passda. vê que o teu lençol está no chão. vê que não está suando. que a mão dela segura a tua.

o resto do quarto flutua.

17.9.08

vem cá

me olha bem no olho
daquele jeito nosso
que me faz pensar nas flores
do arranjo de mesa da tua sala de estar

chega mais perto
põe minha mão na tua
me puxa
daquele jeito solto
que quase deixa encostar teu pé no meu
e faz dançar a tua saia verde e a minha bermuda jeans

aí me abraça apertado
daquele jeito junto
com o corpo inclinado
e a cintura chamando minha mão a rodar

depois encosta tua cabeça na minha
do teu jeito de lado
que faz misturar a minha barba e o teu cabelo enrolados
e me mostra o teu pescoço a beijar

e empresta teu ouvido à minha boca
prela te contar um segredo
prele ouvir em palavra
o que teu corpo conhece em beijo

16.9.08

eu tento olhar direto pro sol. esquecer da cortina arrancada. deitada. amassada no chao. vejo um raio que corta o quarto. vejo um azul. vejo o vermelho das minhas mãos e esqueço do sujo da chuva. esqueço por um segundo. mas penso que pode ser pra sempre. penso que posso queimar essa pele. torná-la seca e dura. tanto pra poder descamar noutra. pessoa.

sou pessoa que não escorre.

5.9.08

é a angústia de reconhecer o branco de tudo. de saber que sou eu. quem sou eu?
cada gora de chuva que suja a cortina branca me mancha das coisas deque me escondo, não só nos sábados, mas todos os dias. fecharia a janela. mas não arrisco me levantar. um vento. um trovão. o clarão. acordo vermelho. mao na cabeça.

acordo.
quem quiser pingar que saia de perto
quem quiser cair que escolha seu canto

eu quero dizer adeus
e me calo

quem disser que quer ser feliz que espere
quem quiser aprender que ande

eu quero ficar
e abro os braços

quem quiser acreditar..

que desista!

4.9.08

eu olho pro lado. pra cortina branca que me esconde do sol de todas as manhãs e penso no que eu queria. no que eu poderia fazer numa noite de gripe e dor de cabeça.
talvez tomar uma aspirina. ouvir uma música calma. ver um filme engraçado. ou ler alguma coisa interessante.

no branco da cortina eu vi bem claro que nem caetano ou adriana calcanhoto. nem guimarães nem bandeira. nem almodovar nem chaplin. nada me acalmaria naquela noite.
nem mesmo aquele cafuné que tava me fazendo tanta falta.

30.8.08

dias

nos sábados eu me escondo
pra pensar nada
pra me vacinar
pra não ouvir os carros que passam
na avenida recife

fico só
com meus íntimos
e esquecimentos

fico só pra lembrar que amanhã é domingo

25.8.08

um dia eu quis abrir um buraquinho na pele dela. pra ver como ela era por dentro. pra saber de onde vinham seus beijos; como seus olhos faziam pra brilhar daquele jeito; e como ela conseguia deixar o coraçaõ falar pela boca.

quis desatar seu nó no umbigo. não consegui. fiz então um outro caminho. tentei olhar dentro dela por um cantinho escondido quela tem por trás do joelho. olhei bem pra tentar ver tudo. olhei uma vez e outra. depois de novo.

vi uma menina que brincava com o sol. ela dançava por tdo o seu corpo. e parava. parava de um jeito bonito. como se ensaiasse cada intervalo. como se não se mover fizesse parte de sua dança. ela corria e pulava, e gritava coisas queu não conseguia entender. e seu corpo crescia e se esticava conforme fosse sua vontade. depois se encolhia para voltar ao normal.

fechei o buraquinho que fiz. abri o olho do lado de fora. deitei novamente ao seu lado. me deu um beijo no nariz e no cantinho da boca. me abraçou. seu coração falou com as palavras que conhece e seus olhos luziram. não pensei de novo em olhar dentro dela.

29.7.08

transetando

nem aqui nem lá
num outro espaço
que não dá lugar
nem à saudade nem ao conforto

me encolho
olho pra dentro
e vejo o que não senti
nem lá nem aqui

25.7.08

hortelã

Há de sentir muita saudade
Beijo bala de hortelã
Do abraço exposto na cidade
Longas horas das manhãs

Há de lembrar dos fins de tarde
Em céu laranja o adeus do sol
E o sabor do chocolate
Em noites frias luva e lã

Do tempo tido como eterno no início da paixão
Pra sempre, sempre repetido nos sussurros do amor
Do sorvete dividido nas calçadas de verão
E dos segredos prometidos no primeiro réveilon

Deixa a vida lhe trazer recordações

(alvinho e ivor lancelloti) - fino coletivo

27.6.08

Festa do Band Aid: pra curar sua ressaca

mesmo que muitas correntes de email tentem descrever o que é ser amigo eu tenho kminha própria definição: é receber 156461354 vezes o mesmo convite pruma mesma festa que você já tinha confirmado presença há um tempão, e não só não se incomodar mas postar no seu blog bendito convite:

"Festa do Band Aid: pra curar sua ressaca"

O mês de Junho costuma ser o período de maior valorização das raízes regionais e da cultura tradicional pernambucana. Por todo Pernambuco se espalham festas regadas às manifestações mais tradicionais, valorizando a cultura popular de raiz. As festas juninas abrem espaço para os bacamarteiros, os coquistas, o forró pé-de-serra, a cantoria, a embolada. Mas passado o feriado de São João, as festividades seguem com mais escassez. O fim-de-semana de São Pedro costuma ser pouco lembrado.

Pensando nisso, o Coletivo Band Aid promove a festa de pré-lançamento do seu blog em homenagem ao santo padroeiro dos pescadores e detentor das chaves do paraíso. Que o velho São Pedro, arriminado de tanto ser esquecido pelos amostramentos de São João, resolveu abrir as portas do céu neste sábado, a partir das 15h, para quem se chegar no Bar de Salete, na Avenida Norte.

A "Festa do Band Aid: pra curar sua ressaca" vai reunir em uma mesma tarde a tradição dos poetas regionais, representados na figura do poeta Antônio Marinho, a embolada do coco com a apresentação do Mestre Galo Preto e o forró tradicional de pé-de-serra com a banda Pé-de-Calçada. O ingresso custa R$ 3 (três reais).

O Bar de Salete, também conhecido como Cantinho da Juli, é um recanto tradicional da Avenida Norte. Moradora no bairro de Casa Amarela, há mais de 20 anos, Salete oferece o próprio terraço para os visitantes que chegam para conferir seu arrumadinho e os seus caldinhos tradicionais. A vista panorâmica para a cidade do Recife é uma dos maiores agrados do bar, que conquista clientes fiéis. O Bar de Salete é a última casa de muro verde, na Rua Manoel Apolinário, n.º 158, transversal da Av. Norte, na altura da Concessionária Motoparts da Honda, logo depois do Sesc de Casa Amarela. O bar será especialmente decorado para a tarde com muito arrastapé, correio de amor, cerveja gelada e os quitutes de Dona Salete.

SERVIÇO:

o quê? Festa do Band Aid: pra curar sua ressaca
com quem: Antônio Marinho, Mestre Galo Preto e Pé de Calçada
quando: sábado, 28 de junho
onde: Bar de Salete (Rua Manoel Apolinário, 158, a rua da concessionária Honda na Avenida Norte)
quanto: r$3 (três reais)
hora: 15h

Coletivo Band Aid – Formado no início de 2008, o coletivo é um grupo de divulgação da música pernambucana. O grupo mantém um blog (http://coletivobandaid.blogspot.com), atualizado diariamente com a agenda cultural da cidade, destacando sempre os eventos e notícias das bandas locais com maior expressão da cultura da região. Contatos através do email coletivobandaid@gmail.com

Interessou? Pois elas tão sorteando ingresso. pode ir lá ver!

25.6.08

às vezes não adianta falar. repetir. as pessoas nem sempre estão dispostas a conversar. nem sempre estão querendo te ouvir. ele até sabia daquilo, mas teimava em falar. não se pensava que dessa vez sua voz teria um efeito diferente aos ouvidos dos outros. se achava que forçando parecer mais firme ou parecendo mais seguro daria uma força maior às suas idéias. sei que falava. e suas palavras tinha um som de súplica. pediam, imploravam para serem compreendidas. acho até que eram escutadas, mas não recebiam a atenção que ele queria que recebessem. e, pra falar a verdade, nem a mereceriam, se a tivesse. ainda assim, ele insistia. quem sabe um dia acertava.

22.6.08

iam as duas assim
brincando sob as ondas que o vento desenha
uma após a outra se colocavam
enchiam-se dos brilhos de si mesmas
se deixavam pintar pela luz e pela sombra
ora uma, outra de volta
iam felizes, me trazendo sorrisos
deixando em mim um cheiro
e uma lembrança de beleza imensa
Hoje, depois de muito tempo resolvi ver um jogo de futebol na tv. Mas ver de verdade, como costumava fazer quando era adolescente. Fiquei apreensivo antes do começo do jogo. Não aquela apreensão de saber se o craque do time vai fazer aquele gol; ou porque o time adversário é forte; nem porque seu time do coração depende desse resultado pra se manter vivo na competição. Fiquei pensando como seria revisitar um velho hábito. Será que seria a mesma empolgação? A mesma adrenalina de quem grita baixinho pra não acordar os pais que estão dormindo?

Aí fiquei pensando. Será queu vou voltar a acompanhar o time. Torcer contra a equipe que está na frente no campeonato. Acompanhar todos os times da tabela jogo por jogo, pra imaginar como vai ser a próxima partida. Acho que a gente sempre se pergunta: como será que você seria se não tivesse perdido aquele hábito da infância ou da adolescência? Se não tivesse acabado aquele namoro, se não tivesse escolhido fazer jornalismo? Será que ainda seria a mesma pessoa, teria feito os mesmos amigos, comprado os mesmos discos e lido os mesmos livros? Será?

Foi pensando nisso queu esperei o jogo começar. Foi bom! Vez por outra me vi levantando o braço, sentindo aquele impulso de xingar o juiz. Comemorei dois gols contra o Vasco. E no intervalo ainda fui lembrado de duas decisões históricas (que lembro de ter assistido ao vivo em 1999 e 2000). Fiquei feliz com a vitória, vim na Internet olhar a classificação na tabela. Vi contra quem vão ser os próximos jogos, fui ver como as equipes vêm se apresentando.

Mas nem sei se vou ver o próximo jogo. Acho quessas coisas são sempre assim, né? Como uma recaída. Ficar de novo com aquela menina que você tinha dispensado; fumar só aquele último cigarro. Têm um gosto especial, talvez um saudosismo. Mas não é a mesma coisa. Não digo que foi decepcionante, mas não teve o mesmo efeito. Então eu penso: o que será que mudou? Ou, mais precisamente, quando foi que esse seja lá o que for mudou?

2.6.08

luiz queria correr e dizer a ela que não. que não fizesse, que não fosse.
mas nao podia. não era a coisa deles. não era viver, assim.
ele a olhou de longe. parado naquele memso lugar onde dormiram por semanas. a via se afastar na grama ainda molhada. perdeu a vontade. baixou a cabeça. se ela estivesse a seu lado, lhe apertaria a mão. mas de longe não havia o que fazer.

ela, não sei que pensava. andava, se achava certa, creio. se determinava a não olhar pra trás. não hesitou sequer um passo.

ele aceitou seu lugar.

28.3.08

sou ruído e fumaça
o oposto da luz
que se vê por trás da palpebra fechada
sou lágrima

20.3.08

Maria

Eu me perdia nas ondas
Mar ia me levava
Eu no seu azul imenso
Me deixava sentir seu beijo
Mar ia me abraçava
Eu no seu sopro de vento
Me deixava absorver seu calor

25.2.08

fotossíntese

ela é jardim em queu me deito
pra fazer a sua foto
síntese das suas cores
escrita e síntese da sua luz
que me revela seu cheiro de campo
o sabor de seu fruto
e o brilho da sua flor

me deito
e me fixo nos seus grãos
me deixo agarrar por suas raízes
absorver e transformar em seiva
pra correr seu corpo
e virar orvalho em suas folhas
pra virar calor em meio à noite
e evaporar

15.1.08

aquele teu doce do céu.
aquele barulhinho do mar
aquele teu cheiro

são minha brisa de outono
queu quero pra todas as estações do ano

teu beijo com gosto de onda queu gosto tanto
a chuva caiu. e ele sentiu a beleza de cada gota. achou que seria poético chorar, mas evitou. apenas se riu daquelas gotas e dançou consigo no meio da noite. chegou em casa um novo homem e dormiu com o barulho do ventobatendo na árvore do quintal.

13.1.08

tem sempre alguma coisa que anuncia a chuva forte. cada um prevê de um jeito. pra uns basta sentir os pássaros voando pesados, olhar as nuvens cinzentas, ouvir o silêncio. pra ele era um certo tom de voz, que vinha não se sabe de onde, ao seu ouvido e dizia que nada iria acontecer. quando ouvia essas palavras, era chuva na certa! o dia amanhecia nublado e quente e ele espirrava. e ao mesmotempo pensava que quem sabe dessa vez realmente não fosse nada, só sua imaginação.
então saiu de casa correndo, queria ver se impedia o céu de chorar. pisou do lado de fora e se molhou e passeou na chuva, querendo fazê-la parar de cair, e querendo ele também despencar.

30.12.07

Eu fico assim
Vejo as folhas caírem
E sinto uma brisa em mim
ela se mente dos sonhos
que se deixa viver de verdade

ela se queixa do fogo
e se deixa aquecer com a brisa

ela se guarda
nos caminhos de águas

ela segue pisando
e encontra a vida nos pés

então se enraíza e cresce
e floresce

tão bela a flor
que se esquece

6.12.07

primeira sessão de fisioterapia. você chega, preenche os papéis, espera na recepção, até que a fisioterapeuta te chama. uma galega de aparelhos nos dentes, que parece ter no máximo dois meses a mais que você, mas ainda assim é chamada de doutora, com toda a pompa que você só associa àqueles senhores carecas com estetoscópio no pescoço. primeiro passo, envolver sua mão numa manta aquecida por uma máquina de ondas térmicas.
dez minutos depois, quando sua mão já está bem quente, é a vez da ultrassom. sim, um aparelho de ultrassom que age no tecido inflamado. e pronto. terminou, até a próxima sessão. pra quem imaginou exercícos e repetições de estica e contrai, isso foi bem.. est.. diretente; mas faz você pensar em como as máquinas estão domindando o mundo.

27.11.07

em pé

entre cada solavanco
um sonho

o balanço do carro balança a carga
que vai e segue e pára e anda

sonha nos intervalos dos sinais
e vive a esperar sua hora de saltar
de vez em quando eu me pego acrditando em palavras.
aí escrevo, no verso dum papel qualquer, as benditas que me aperreiam.
às vezes funciona, às vezes não.

21.11.07

ela muda
eu gota

pingo
pingo
pingo

até que floresce o sorriso

eu rio
ela nada
no meu abraço
forte e azul

25.10.07

vinho

ela prende o fôlego e derrama o vinho
derruba o copo
derruba o corpo
tudo em volta se contorce
e ela cai

mancha a mesa, escorre pelo canto
pulsa em pingos
voando ao chão
o tinto corre
se liquefaz

o cheiro do álcool inebria
toda a sala
se embriaga
no ritmo de uma vaga
ela jazz

atura a fumaça e a luz do neon
anula a carne das veias
a garrafa cheia
de brilho e de vinho
se desfaz

sente o frio, sente a espinha
sente o atrito
em volta de si
sente um grito
e cai.

29.7.07

disseca

me leva pra tua chuva
me tira do eixo
despe a minha alma
e me tira o freio

me tira dessa dimensão
preu poder entender

traduz a minha voz,
meus movimentos
me mostra, de uma só vez,
mil sentimentos

me deixa ouvir teu samba
preu poder entender

então me toma pelo braço
me eleva
alto, e mais alto
me atravessa

me deixa ver o teu sol
preu poder entender

28.3.07

Sofia era uma borboleta

Sofia brincava comigo
Se fingia
Se abria em asas
pra se fechar em risos

Sofia não falava nada
Só me atiçava
Apertava os olhos e o umbigo
e se ia.

21.10.06

aos poucos

Toda aquela densidade
Toda aquela gravidade
E toda a solicitude
São só a luz refletida

No vazio do espelho.

Todo aquele jazz antigo
Que ela ouvia por todo o tempo
Não era mais que miragem
Para entretê-la na frente

Do espaço do espelho.

Seus olhos fundos e fixos
Naquela teia de texturas
Que a envolvia lentamente
Entre as nuvens que se escondem

No verso do espelho.

http://www.flickr.com/photos/vertigem/272372305/

6.10.06

não há homem mais correto
do que aquele que corre
em defesa do seu erro

que, do mosaico que sabe
ter escondido nas nuvens
que traz por detrás dos olhos,

faz sair, como de um impulso
qualquer, o brilho branco
de algum sol que o assimila

23.6.06

ele veio e fechou os olhos.
a fumaça concreta o vencia.
a sala vazia o sufocava.
a porta fechada, os degraus da escada.
nada.

foi assim que a sombra que ele escondia nos olhos se dissipou.

4.6.06

Refletiu tantas vezes
que já sabe de cor conjugar as constelações
Não consegue, mas tenta,
apagar as sombras das nuvens nos olhos que esconde
Então, faz de conta que a lua o pergunta:

"e agora, pra onde?"

28.5.06

A hora certa, acorde e vá pasear

Busque, embaixo do travesseiro, caminhos que se escondem por lá

Então brinque com o rosa e o azul das cores
Brinque de comer flores, brinque até se cansar!
E, no fim, quando você não se segurar mais
Tudo se enrola, imóvel, naquele lençol de girassóis.
Os olhos de ostras não vão mais chorar.

8.5.06

todo mundo sabe o que significa.

um salto pro mundo
com uma nuvem de fundo.

é a beleza que inspira
a beleza
que não tem mais fim.


é aquela folha amarela e amassada
no meio do eterno do jardim.

sabe aquele gostinho..?
sabe, sabe sim.
ele gostava de poesia
tomava cerveja
e discutia economia

era tudo o que achou que um dia poderia

então rompeu seu raio
pulou da sacada
sem nem olhar pro alto.
vôou por dias e mais

depois voltou
e não morreu jamais.

1.3.06

...

toda estrela tem sua história
que a maré apaga
no seu leva e traz
em marcha ré

30.1.06

"_____"

Queria construir um castelo de areia
no jardim da sua janela.
Pra ela poder admirar sentada
no seu banquinho de quimera,
que fica ao pé daquela árvore.

Queria ouvir o silêncio do seu sorriso
quando ela visse a minha sombra
para além do sol.

Queria ver ela dançando
naquele belanço sem cordas.
Queria ver ela chorando,
queria ver ela voar.

18.1.06

brincadeira..

Vicente abriu a porta e saiu. Queria ir à farmácia, tinha dores de cabeça e muitas outras coisas que ele não sabia o que eram. Viu uma folha no chão e continuou andando. O que era uma folha comparada aos problemas de Vicente? A antiga foto que ele trazia na memória seria partir de agora um papel em preto e branco, nada mais. O cheiro das suas lembranças não era mais o do balanço da arvore no antigo jardim, nem o da brisa no romper do ano de Boa Viagem. Era só cheiro de guardado.
Vicente não conseguia deixar suas lembranças pra trás assim como fez com aquela folha amarela no chão. Era como se o vento, que sempre o guiara nas suas tempestades agora lhe trouxesse de volta a única coisa que ele queria abandonar.
Assim que entrou na farmácia, Vicente pode esquecer da folha, esquecer de tudo o que vira na rua e pedir em voz rouca:
- Quero um comprimido para dor de cabeça.
Sem que demorasse um minuto foi atendido e devolvido ao seu caminho. Ia agora para casa. Estela vinha visitá-lo precisava está preparado. Seguiu em rumo reto sem ser interrompido por folhas, fotos ou aromas quaisquer. Chegou em casa e fechou a porta. O comprimido tinha que ser tomado rápido. Estela ia chegar em poucas horas. Não é que ela fosse a visita mais importante das que ele poderia receber, afinal, trabalhava como contador para pessoas de grande relevância política. Era, no entanto, a única pessoa de quem ele gostaria de esconder as lagrimas que não derramou.
Deitou e dormiu. Talvez isso ajudasse a sumir com a dor de cabeça ou pelo menos melhorar sua aparência. Foi um sono pesado apesar de breve. As melhores três horas que Vicente desde a ultima quarta feira. Levantou-se para tomar banho. A dor de cabeça não tinha passado. E seu semblante também não parecia menos mórbido. O banho também não ajudou. Mal tinha colocado a roupa quando Estela bateu à sua porta. Atendeu. Fez com que se sentasse. Andou começar o jantar.
Estela bateu à porta nem meia hora depois. Entrou e foi à cozinha. Vicente não lhe dirigiu a palavra, ou o olhar. Continuou nos afazeres que não o ocupavam. Ela sentou-se na cadeira. Ficaram assim. Ela encarava-o. Ele fugia-lhe.
- O jantar está pronto.
Foi assim que ele terminou a conversa. Sentou-se. Serviu os dois pratos mecanicamente. Ele comia. Ela o viu terminar o prato sem levantar o talher. Ele não conseguia responder ao seu olhar.
- Pare!
- Não quer que eu coma?
- Você sabe do que eu falo.
Vicente então levantou o olhar. Não poderia mais fugir? Estela se levantou. Seu prato intocado esfriava. Vicente não o retirou da mesa. Queria, mas não podia. Não sabe o que lhe impedia de fazê-lo. Talvez a mesma coisa que o impedia de encará-la.
- Ela morreu.
- Não repita coisas para me ferir. Coisas que eu já sei!
- Parece que não se lembra.
- Eu lembro e sofro cada vez que lembro.
- Não precisa. Você não precisa se acabar.
- Mas talvez eu devesse.
Essa palavra reiniciou a conversa. Era Vicente, entretanto, que encarava Estela dessa vez. Seu olhar não tentava fugir. Estela se dirigiu à sala. Abriu a porta e saiu. Deixou-a aberta. Mas não conseguiu entender porque. Talvez achasse que ele aseguiria. não teve certeza.
Vicente não se moveu durante todo esse tempo. Nem mesmo fechou a porta. Simplesmente sentou ao lado frio de Estela. E não chorou.


num faço muita prosa, mas a comecei brincando e quis ver no que dava.