um momento pequeno grande
mas me confunde
presente e passado
me calo e escuto
e cuido
pra não me dissolver
num meio-tempo
de sorrisos estranhos
e olhares distantes
quero saber pronde ela vai
mas nem sei se me leva
talvez não seja hora de deixar
Páginas
16.7.09
14.7.09
olha pra ela:
nega dourada
sambando de lado
esquecida do mundo
me chama com os braços
os lábios
o rebolado
me atiça o corpo todo
com esse balanço solto
do ombro e dos quadris
e se perde de mim
me deixa num canto
toma a festa toda pra ela
depois me volta cantando
um copo na mão
sorrindo, me olhando
eu não sei quem é ela,
nem sei o que quer
essa nega me aperta
me abraça, me leva
eu me acabo!
quero mais o quê?!
sambando de lado
esquecida do mundo
me chama com os braços
os lábios
o rebolado
me atiça o corpo todo
com esse balanço solto
do ombro e dos quadris
e se perde de mim
me deixa num canto
toma a festa toda pra ela
depois me volta cantando
um copo na mão
sorrindo, me olhando
eu não sei quem é ela,
nem sei o que quer
essa nega me aperta
me abraça, me leva
eu me acabo!
quero mais o quê?!
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talitas marias rebecas e outros clichês
12.7.09
estranhamente ela entendeu o que ele quis dizer com aquela sequência de palavras e gestos desconexos. entendeu também sua dificuldade em traduizr a idéia sentida em palavras ou outra forma sensível. o entendia. não que ele fosse um mistério. mas suas frases, longas soltas e agoniantemente repetitivas afastavam qualquer de qualquer um a compreensão.
9.7.09
3.7.09
- juro como não entendo. é um jeito de querer uma coisa depois outra. diz e se arrepende. não diz depois grita. o que é isso? fica dançando com as palavras, fazendo-as pipocar. explode as benditas em pequenas partes que nem chegam a fazer sentido. putaquepariu! memso quando tenta. com esse olhar perdido. os gestos acelerados, pra suprir a falta de sentidos, parece que não sabe o que procura.
- [...]
- [...]
30.6.09
zii e zie
eu postaria quase todo o novo disco de caetano aqui. aos poucos. à medida que uma música ou outra me fosse ficando mais próxima da vida. ontem sem cais, hoje lapa. anteontem já foi a cor amarela. uma trilha sonora que me é tanto e tão diferente hoje. me acerta em vários momentos. não sei se culpa do próprio caetano, ou de pedro sá e do resto da banda cê. ou da mistura. mas é melhor dizer logo tudo de vez a ficar pingando letras por dias seguidos.
29.6.09
se fez de sonso. fingiu que não era com ele. desejou tanto que não fosse que se perguntou se de fato seria, mesmo tendo certeza. abriu um sorriso. sorriso amarelo que se quer branco e sincero. para quebrar aquelas palavras no ar. quebrar-lhes o sentido que podiam fazer a qualquer ouvido, principalmente aos seus. cortar-lhes pela raiz, da boca mente espírito da moça vermelha que com elas lhe tirara o chão. passou direto, sem resposta maior que o sorriso. que se não foi a mais sincera, ao menos atingiu os objetivos.
ressenti
as gotas que pingam das folhas nas horas de sol. as curvas que custam firmeza e féao quebrar. os sopros de vento tão fortes de fazer virar. o calor a calma e o nada que fiz.
abre a porta, vai pra rua. e fica olhando. só pra ver movimento. pra ficar parado. pra não precisar. e quando faz isso, enquanto não sabe o que quer, se sente menos mais. e quando parece que um passo seria esforço. já foi mais longe do que imaginava. ali, naquela árvore grande. no parque que não foi da sua infância. na rua perdida do centro e do subúrbio. fora do eixo e do foco e do campo de visão. ele estava sentado. com duas idéias na cabeça que não se comunicavam, não se tocavam e nem se entendiam. foi assim que, com o fim do dia, se viu rodando solto o caminho de volta.
28.6.09
26.6.09
eu que já não posso ir
te peço pra acompanhar
leva ela embora pronde precisa chegar
caminha de lado,
mas deixa um espaço,
qué pra mão não encostar
e ela criar força
se segurar
não fala muito de mim,
que não sou mais importante.
fala do futuro
que existe prum lado depois.
e aí quando chegar lá
e ela se for indo,
diz que desejo sorte
sei que tudo vai dar certo.
manda um abraço,
não muito apertado,
só pra espantar o nervoso
e dá também um beijo na testa,
se os olhos pedirem apoio.
enxuga as lágrimas
alguma vai aparecer que sei
enxuga as lágrimas
quisso acalma o coração.
diz que a confiança queu tenho é no sonho
da menina que brinca com o sol
que tem dentro dela
que daqui o que faço é soprar
uns ventos frios e bons
pra se carregar qualquer coisa
pra ajudar
te peço pra acompanhar
leva ela embora pronde precisa chegar
caminha de lado,
mas deixa um espaço,
qué pra mão não encostar
e ela criar força
se segurar
não fala muito de mim,
que não sou mais importante.
fala do futuro
que existe prum lado depois.
e aí quando chegar lá
e ela se for indo,
diz que desejo sorte
sei que tudo vai dar certo.
manda um abraço,
não muito apertado,
só pra espantar o nervoso
e dá também um beijo na testa,
se os olhos pedirem apoio.
enxuga as lágrimas
alguma vai aparecer que sei
enxuga as lágrimas
quisso acalma o coração.
diz que a confiança queu tenho é no sonho
da menina que brinca com o sol
que tem dentro dela
que daqui o que faço é soprar
uns ventos frios e bons
pra se carregar qualquer coisa
pra ajudar
17.6.09
corpo
descasca a cor dos olhos pra ver amor
transluz a vida o vidro sem brilhar
esconde o sol das mão pra ser sorrir
e a luz ali não vai correr de nós
transluz a vida o vidro sem brilhar
esconde o sol das mão pra ser sorrir
e a luz ali não vai correr de nós
12.6.09
das linhas queu leio escrevo componho 5 são jogadas fora pra uma ficar. cada outra que escapa faz de um tudo pra voltar. caneta puxa tinta pra mão corre veia pro corpo. palavra que passa por toda pele antes de decantar pra parte de cima dos ombros. eu penso não penso não penso mais nada não chego em nenhum ponto.
7.6.09
ignição
às vezes penso que não sei mudar de passo. trocar de faixa. sair da linha (e voltar). com tantas luzes, tantas cores. é muita força queu não controlo. e a velocidade queu não entendo!
paro respiro fundo dou partida de novo. morro.
paro respiro fundo dou partida de novo. morro.
2.6.09
cinco passos dele, três dela. um pouco a diferença de tamanho, um pouco o esforço quele fazia para não pisar nas linhas. não fazia sempre, mas naquela calçada era inevitável. estivesse atrasado como fosse, corria apenas o suficiente para pisar uma vez em cada quadrado branco.
hoje ia com renata e com calma. conversavam sobre qualquer coisa desde a descida do ônibus. como sempre discordavam. mas naquela rua, seus argumentos iam no passoa das linhas em que não pisava. os dela, na pressa de o alcançar. as mãos não se davam. ela gesticulava, olhando mais para a rua que para a frente. os olhos dele no chão.
veio a esquina. o sinal. os carros correndo seu som de girar. pararam ali. esperavam silêncio e vermelho para continuar. não se olharam para confirmar, mas sabiam que a partir dali não discutiriam mais. assim como os quadrados na calçada justificavam os passos dele. ela tinha mania de deixar os espaços decidirem quando os assuntos se esgotavam. e cruzar aquelas portas a faziam mudar de assunto sempre. um comentário qualquer. sobre o piso, as escadas ou a janela. um 'vou ao banheiro', ou até o silêncio faria ambos esquecerem a conversa anterior. 'em que mesa?' serviu dessa vez.
sentaram ao canto. mesa pequena, sob a janela grande. a mesma de sempre. de frente um para o outro. capuccino e biscoitos, expresso duplo e croissant. outra conversa vazia. agora cheia de olhos e mãos. o filme que viram na semana passada ainda estava em cartaz.
hoje ia com renata e com calma. conversavam sobre qualquer coisa desde a descida do ônibus. como sempre discordavam. mas naquela rua, seus argumentos iam no passoa das linhas em que não pisava. os dela, na pressa de o alcançar. as mãos não se davam. ela gesticulava, olhando mais para a rua que para a frente. os olhos dele no chão.
veio a esquina. o sinal. os carros correndo seu som de girar. pararam ali. esperavam silêncio e vermelho para continuar. não se olharam para confirmar, mas sabiam que a partir dali não discutiriam mais. assim como os quadrados na calçada justificavam os passos dele. ela tinha mania de deixar os espaços decidirem quando os assuntos se esgotavam. e cruzar aquelas portas a faziam mudar de assunto sempre. um comentário qualquer. sobre o piso, as escadas ou a janela. um 'vou ao banheiro', ou até o silêncio faria ambos esquecerem a conversa anterior. 'em que mesa?' serviu dessa vez.
sentaram ao canto. mesa pequena, sob a janela grande. a mesma de sempre. de frente um para o outro. capuccino e biscoitos, expresso duplo e croissant. outra conversa vazia. agora cheia de olhos e mãos. o filme que viram na semana passada ainda estava em cartaz.
29.5.09
passou mais uma vez por aquela rua. queria sentir o adeus do cimento. das grades de ferro. dos portões elétricos. do vidro espelhado. e queria ter certeza de que não seria lembrado. nem pela sombra da árvore em que descansava. parado na esquina, seu pé já sentia estranho o pavimento. olhando em volta, os fios corriam retos. paralelos. outro plano de viver. viu mais pela última vez a casa em que se descobrira vivo. a janela, que antes ventava, fechou.
atravessou a rua sem saber se sentiria saudade.
atravessou a rua sem saber se sentiria saudade.
23.5.09
Tomava um café preto. Quente. Forte. Amargo. Cada gole descia como uma certeza que era mordida aos poucos. Ressentida cada vez que o líquido encostava a língua. Era a verdade que precisava ouvir. E ouvia por dentro, passando direto para o estômago, de onde se espalhava pelo resto do corpo. Estava se fortificando, se entranhando. Acabou a pequena xícara com a sensação de que não faltava mais nada para aquela tarde. Era o fim. Ainda que não passasse das cinco.
Pagou e saiu. Nem passou pela cabeça continuar naquela cadeira os pequenos minutos que costumava ficar. Os minutos em que olhava o mundo pela janela redonda e juntava coragem para viver o resto do dia. Se levantou. Andou um pouco mais do que de costume. E mais devagar. As paradas de ônibus estavam vazias. A rua se movia. O vento estava bom. O barulho também. E tudo que vinha parecia passar, um dia sem nenhuma cerimônia. Um dia que não passava em branco, tão azul que estava o céu.
Andou até o final da avenida para pegar o ônibus. Vazio. Três pessoas tão normais. Com as vidas e os olhos virados pra fora do ônibus. Não os viu descer, não viu ninguém mais subir. Da cadeira do corredor, no fim do ônibus, sentia apenas aquele calor do café. Nos pés, nas orelhas, batatas das pernas. Seus olhos azuis, tão negros. As curvas no caminho de casa, tão retas. Chegou às quatro e dez.
Não ligou o computador. Também não telefonou para a mãe. Colocou aquele disco de Nara para tocar e foi tomar banho. Tanta leveza na voz. O peso das gotas e do café no estômago. O calor da água e do corpo. Não era mais o choro. O canto livre. Os azulejos brancos sem nenhum desenho divisível. Cortou a fumaça e o espelho. Deitou na cama como estava. Água negra e pesada. Liquidez. A luz no quarto acesa balançou seus olhos. A cabeça como pêndulo. Ponto.
Não viu a lua nascer naquele dia. Desaparecia de toda a tarde sua luz.
Pagou e saiu. Nem passou pela cabeça continuar naquela cadeira os pequenos minutos que costumava ficar. Os minutos em que olhava o mundo pela janela redonda e juntava coragem para viver o resto do dia. Se levantou. Andou um pouco mais do que de costume. E mais devagar. As paradas de ônibus estavam vazias. A rua se movia. O vento estava bom. O barulho também. E tudo que vinha parecia passar, um dia sem nenhuma cerimônia. Um dia que não passava em branco, tão azul que estava o céu.
Andou até o final da avenida para pegar o ônibus. Vazio. Três pessoas tão normais. Com as vidas e os olhos virados pra fora do ônibus. Não os viu descer, não viu ninguém mais subir. Da cadeira do corredor, no fim do ônibus, sentia apenas aquele calor do café. Nos pés, nas orelhas, batatas das pernas. Seus olhos azuis, tão negros. As curvas no caminho de casa, tão retas. Chegou às quatro e dez.
Não ligou o computador. Também não telefonou para a mãe. Colocou aquele disco de Nara para tocar e foi tomar banho. Tanta leveza na voz. O peso das gotas e do café no estômago. O calor da água e do corpo. Não era mais o choro. O canto livre. Os azulejos brancos sem nenhum desenho divisível. Cortou a fumaça e o espelho. Deitou na cama como estava. Água negra e pesada. Liquidez. A luz no quarto acesa balançou seus olhos. A cabeça como pêndulo. Ponto.
Não viu a lua nascer naquele dia. Desaparecia de toda a tarde sua luz.
7.5.09
28.4.09
as coisas do dia de hoje vou deixar assim. vou deixar pra lá. esquecer aqui. vou passar por hoje todos os dias. e não vou lembrar. nem do dia nem das coisas. nem das cores do sol. vou andar sem certeza. vou bater nas esquinas. por onde sempre passei sem saber. vou apagar meu cigarro. pé firme no chão. deixar as cinzas. e queimar.
26.4.09
25.4.09
22.4.09
vida é o trânsito. organismo concreto e vivo das pessoas. tudo que corre vive! e todos corremos. pra bater nos outros. ou fugir disso. eu até tento parar. olhar as luzes de todas as esquinas e os barulhos sonzinhos do movimento. é uma intensidade que não cansa. que só move. que não pensa. que distorce.
eu pulo seguindo sentidos alheios!
eu pulo seguindo sentidos alheios!
20.4.09
17.4.09
16.4.09
passado dos corpos
se tu já tem outros braços
ao menos pare
de me oferecer os teus
prum abraço qualquer
num desses encontros casuais
preu nem lembrar
como é que os quatro
se sentem juntos
preu não precisar
me esforçar
pra não caber
preu não sentir tremer
quando eles,
mais uma vez,
sem nem se juntar
se separam
ao menos pare
de me oferecer os teus
prum abraço qualquer
num desses encontros casuais
preu nem lembrar
como é que os quatro
se sentem juntos
preu não precisar
me esforçar
pra não caber
preu não sentir tremer
quando eles,
mais uma vez,
sem nem se juntar
se separam
15.4.09
14.4.09
fui voltando. e voltando a ver as coisas. de um jeito, ao mesmo tempo, novo e usual. via como me acostumei a não ver, desde um certo dia de encontro com o sol. ia e via como são bonitas as belezas de todos os dias. as belezas das quais a gentese esconde. pra não ver. e fica achando que são elas que não se mostram. que se deixam perder.
voltei a ver. por trás das folhas. bem por cima de qualquer árvore de esquina. nos pés que têm chão. nauqele ar que a gente respira. sem preceber soprar. as coisas que tinha esquecido de reparar.
e nesse epifania de auto-ajuda ocular andei em ver.
e vi brilhos e transparências. e cores tão cheias de azul e vermelho. que o ar me soprou os pulmões. e o corpo todo. que levitei. no meio las luzes. no meio da manhã. e não fiquei asism.
voltei a ver. por trás das folhas. bem por cima de qualquer árvore de esquina. nos pés que têm chão. nauqele ar que a gente respira. sem preceber soprar. as coisas que tinha esquecido de reparar.
e nesse epifania de auto-ajuda ocular andei em ver.
e vi brilhos e transparências. e cores tão cheias de azul e vermelho. que o ar me soprou os pulmões. e o corpo todo. que levitei. no meio las luzes. no meio da manhã. e não fiquei asism.
12.4.09
8.4.09
arquivo antigo
the hands
they already know what to do
and even if they're as blind as our eyes,
they never forget where to find
a place to start.
they already know what to do
and even if they're as blind as our eyes,
they never forget where to find
a place to start.
6.4.09
talita me veio encontrar
numa rua em que passava desatento
trazia no rosto, dessa vez,
o mais aberto dos sorrisos
me levou para casa
me falou da vida
e me abriu as pernas
como em outras noites
me recebeu no corpo
pela primeira vez
no sorriso
em nenhum me quis habitante
ela me abriu então a porta
(com o sorriso
já não sabia mais o que fazer)
não me disse até logo.
eu também em silêncio
lhe dei um beijo no rosto
e segui
talita não é pessoa de ser metade
eu não sou pessoa de ser um
talita e eu fazemos de conta
numa rua em que passava desatento
trazia no rosto, dessa vez,
o mais aberto dos sorrisos
me levou para casa
me falou da vida
e me abriu as pernas
como em outras noites
me recebeu no corpo
pela primeira vez
no sorriso
em nenhum me quis habitante
ela me abriu então a porta
(com o sorriso
já não sabia mais o que fazer)
não me disse até logo.
eu também em silêncio
lhe dei um beijo no rosto
e segui
talita não é pessoa de ser metade
eu não sou pessoa de ser um
talita e eu fazemos de conta
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5.4.09
lâmina
corto. o fio invisível. da minha cabeça àquele corpo. rasgo. o resto do papel que fiz. e até as pedras. vejo queimar. e achando que sou vapor. vento. voo. risco o ar. tão depressa. tão sem força. qu quase explodo. no meio do todo azul. e todos os meus sentidos são um. e me deixo fluir.
corto os fios e a carne. penetro o ar.
corto os fios e a carne. penetro o ar.
3.4.09
o calor é a água que sai de mim. que me tira a calma de existir sem pressa. que me imprensa. me aperta. entre as decisões já tomadas. e no meio do sufoco eu me vejo de novo. e penso. de que servem as certezas de uma dia quente. desse verão vazio. que não acaba.
2.4.09
1.4.09
das coisas que sei
eu sei de tudo. e não ligo pra isso. me conforta saber que não adianta fazer nada. me acalma descobrir que não posso. não vou esquecer. nem vou lembrar. não vou fazer as pazes com chico. nem vou brigar com mais ninguém. eu sei de tudo. e brinco com minha própria sorte.
31.3.09
eu conto os tempos em vão. todos os dias me vêm com uma dor de cabeça. e aquela certeza queu não aceito. um mantra. uma falta de jeito. uma força. o coração bate. um compasso frouxo de não caber. desmorono.
eu perco o estilo.
eu perco o estilo.
30.3.09
terceiro
eu não tenho mais vergonha. não tenho certeza de nada. mas continuo. automático. passo por passo. caminho. sei que seguir é meu início. mas ainda olho pra trás. dias. palavras. pedras. e sinto o peso que perdi e carrego. é pesado o corpo que arrasto. pesada a lembrança que levo.
piso na terra sem sentir meus ombros.
piso na terra sem sentir meus ombros.
29.3.09
outro
Karina Buhr cantava a minha falta de vontade. durmi. passei o tmepo de uma noite, como se tivesse bocejado. fui acordado por aquele pássaro sem nome. pelo balanço das asas no ar. ele não pousou. nem cantou. não me disse nada. não tivesse sido acordado por aquelas asas e ele passaria desapercebido; como provavelmente passou por tantas outras janelas nessa manhã de domingo.
perdi a vontade de me perder.
perdi a vontade de me perder.
28.3.09
ando de um lado pro outro sem fazer barulho. passo o olho pelos lados. e sei que vou passar. cinco minutos atrás e era dia. todo o tempo do meu silêncio. e todo o resto. ficam.
e eu não sei o que fazer com essa noite.
e eu não sei o que fazer com essa noite.
27.3.09
26.3.09
esses são versos de prefácio
são primeiros passos
para um descaminho
em que não cabe mais o sol ou o vento
em que se esquece o som, a razão e o sentimento
são do muito que se descobre perdido
do tanto de verdade que se esconde cá dentro
são de mim
(e talvez/mas não) por isso pequenos
são primeiros passos
para um descaminho
em que não cabe mais o sol ou o vento
em que se esquece o som, a razão e o sentimento
são do muito que se descobre perdido
do tanto de verdade que se esconde cá dentro
são de mim
(e talvez/mas não) por isso pequenos
25.3.09
ainda pequeno, bem novo, aprendi a entender. bem antes de tudo. e esqueci. crescendo descobri que sentia. muito. e me perdi. hoje é a verdade que me balança. é o queu aceito. é o que me alcança.
24.3.09
23.3.09
sinto que o sol entrou em mim. e fez morada. não pra aquecer e brilhar. fez queimada. vermelho tudo que não era. cinza o que já estava. vapor. nas bordas eu sinto me deixar o que já foi azul. e hoje seca. um desenho cortante que quero ver terminar.
ardor.
ardor.
22.3.09
505
é o calor. que me faz querer ficar naquela coisa. de não seguir. me ocupo com o suor. com as gotas que não quero verter. com o que quero correr. com os tempos que não controlo. e aí descontrolo. e mesmo quando bate o frio. ainda que rápido. só um sopro. deixo passar.
congelo em vez de inspirar.
congelo em vez de inspirar.
21.3.09
de volta
trasnformo em nuvem o que não quero ver. giro. contorço. refaço. procuro no azul a minha cor. faço-a pingar. pra ver escorrer. pra me transcorrer. me sujar as mãos e limpar o corpo. pra me cobrir daquela sombra. e depois descascar. desinsolar.
20.3.09
olho. a janela fechada e azul não me diz nada. aperto o olho. encaro. escancaro-a. para ver o que esconde em toda aquela luz que não me deixa passar. procuro absorver em cada poro o vapor do ar que não corre. que para. que inunda o quadrado da janela. depois transformo tudo num suor ao contrário.
quero o avesso do vento dentro da pele.
quero o avesso do vento dentro da pele.
19.3.09
de sétimo dia
uma folha cai
seca
da árvore
vejo um pássaro qualquer
queu não sei o nome
e tudo passa por mim
sombra, formiga, varanda
maisum dia
sem cerimônia
mais um dia
pra guardar lembrança
seca
da árvore
vejo um pássaro qualquer
queu não sei o nome
e tudo passa por mim
sombra, formiga, varanda
maisum dia
sem cerimônia
mais um dia
pra guardar lembrança
17.3.09
de carnaval
não era março nem inverno
mas a chuva caía ainda
calma e fria
como um último banho
de descanso e folia
antes das cinzas
mas a chuva caía ainda
calma e fria
como um último banho
de descanso e folia
antes das cinzas
16.3.09
14.3.09
pneumotórax
o rato tinha razão ao falar. essa vida é mesmo a mais marota! já gosta de dar voltas. a gente até para. respira. e depois continua. filosofia de bicho-gente. que num cansa de se reanimar. mesmo quando nem o tango argentino parece ajudar. a gente levanta a mão. e pede o prato do dia.
9.3.09
febre
dia sem chuva. fico em casa. não faço a barba. não tardo. deito. durmo. esqueço. assisto filmes ruins. não penso no quê mais. vejo a poeira levantar e baixar nos meus olhos. dentro das iris. vejo-a solidificar. prensar. desenterrar as peças que vejo cair. vejo mas não não monto. não mexo. não me mexo. nem penso.
preciso mesmo é parar de frescura.
preciso mesmo é parar de frescura.
daqui..
daqui do meu canto
eu conto minhas saudades
e tento soprar
algumas tristezas
pra longe
daqui eu vejo
as coisas todas que perdi
mas que não espero ver voltar
olhoatento para o caminho
tentando lembrar um jeito
de seguir adiante
de dar mais um passo
na direção do pé
na direção da fé
que tenho
nem sei mais em quê
daqui
eu sinto o vento:
ar que passa correndo
sem nem notar o tempo
que deixa passar
eu conto minhas saudades
e tento soprar
algumas tristezas
pra longe
daqui eu vejo
as coisas todas que perdi
mas que não espero ver voltar
olhoatento para o caminho
tentando lembrar um jeito
de seguir adiante
de dar mais um passo
na direção do pé
na direção da fé
que tenho
nem sei mais em quê
daqui
eu sinto o vento:
ar que passa correndo
sem nem notar o tempo
que deixa passar
6.3.09
"vida doce"
piso fora do quadro. saio do quadrado. ando pelas linhas. deixo-as cair. sobrevoo. pulo. contra a vontade do chão. com o impulso da mão. com a força que nem tenho. com a certeza de que não sei quando parar. de que não sei onde quero chegar.
termino pra começar.
termino pra começar.
1.3.09
27.2.09
acorda pra pensar no dia. na vida. no que vai fazer. deixa tudo pra lá. vai buscar uma identidade perdida. perde o passe. perde a saída. esquece o que pode ser. o que quer dizer. registra o que sempre soube. descobre o que já conhecia. faz do caminho de todo dia um passeio de vida. se vê no meio de deusas que pensava mortas. vê suas belezas e forças com o cuidado de quem tem medo não ver mais nada na vida. vai pra casa voltar à rotina. vai pra casa deitar na cama e sorrir.
vai pra casa para sair de si.
vai pra casa para sair de si.
20.2.09
18.2.09
CASUAL
CASUAL, adj. 2 gên. Que depende do acaso; que acontece por acaso; fortuito; acidental; ocasional. (Do lat. casuale)
16.2.09
4.2.09
muitas vezes eu calo. fico comigo. não. vejo os emails. os recados. as "fotos comigo". sorrio. deixo uma mensagem na memória, sabendo que, memso que queira, não vou esquecer. depois de solquente e decisões, as cores. as cordas. os barulhos não-harmônicos.
queria mesmo um descanso das propagandas de carro.
queria mesmo um descanso das propagandas de carro.
3.2.09
português-inglês
passa dia. uma tarde. chuva. tosse. e a tela desce no computador. é muita dor de cabeça. é muita página descendo. tanta linha que falta. e eu, que num sei mais de nada. eu, que só penso na máscara de sexta-feira. e na do próximo sábado. esqueço as de todos os dias. sigo pessoas. sou seguido por quem menos esperava. sou esquecido.
lembro da minha vida dos outros. durmo.
lembro da minha vida dos outros. durmo.
13.1.09
quase não sobra nada
"sobram algumas palvras perdidas
desacompanhadas
sobra um pedaço perto do fim
sobra uma volumosa e amarga demência
sobra o tempo
passou"
fabio trummer e junio barreto
desacompanhadas
sobra um pedaço perto do fim
sobra uma volumosa e amarga demência
sobra o tempo
passou"
fabio trummer e junio barreto
6.1.09
23.11.08
sinal fechado. o carro parou. entre a locadora e o lava-a-jato, ela olhou pros dois lados. olhou pra frente. depois das ruas, o mar. prédios altos e um céu teimosamente nublado entre eles. precisava fumar. cadê o cigarro. no porta luvas, não. na bolsa., embaixo do banco. puxa debaixo do banco para o colo. mexe e volta. pra quê diabos serve uma bolsa desse tamanho?! olhou pro semáforo. demora mais quando a gente tem pressa.
branco. um guardanapo amassado em forma de flor. besteiras dele. ainda ali. como os barquinhos, pássaros, aviões que fazia com todo pedaço de papel que encontrava. nota fiscal, panfleto, guardanapo. incrível como não podia controlar. uma mania absurda. abandonava qualquer conversa pras fazer as estúpidas dobraduras. e as deixava em todo lugar. na mesa do bar, nas janelas, no bolso da camisa.
uma buzina. o sinal está verde. larga a bolsa no colo. parte. dobra à esquerda e segue paralela à praia. outro sinal. agora, o cigarro. acende, abre a janela. pega a pequena flor. branca, amassada. a mão a segura do lado de fora. e depois solta. o carro anda, a flor pequena voa na fumaça cinza dos escapamentos.
branco. um guardanapo amassado em forma de flor. besteiras dele. ainda ali. como os barquinhos, pássaros, aviões que fazia com todo pedaço de papel que encontrava. nota fiscal, panfleto, guardanapo. incrível como não podia controlar. uma mania absurda. abandonava qualquer conversa pras fazer as estúpidas dobraduras. e as deixava em todo lugar. na mesa do bar, nas janelas, no bolso da camisa.
uma buzina. o sinal está verde. larga a bolsa no colo. parte. dobra à esquerda e segue paralela à praia. outro sinal. agora, o cigarro. acende, abre a janela. pega a pequena flor. branca, amassada. a mão a segura do lado de fora. e depois solta. o carro anda, a flor pequena voa na fumaça cinza dos escapamentos.
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talitas marias rebecas e outros clichês
21.10.08
pegou o pincel que ficava escondido numa das muitas gavetas do armário. e as tinatas. verde. azul. vermelho. em frente ao espelho, pintou. em todas as direções. sentido. passava a tinta como se limpasse a alma. como se colorisse os olhos. como se gozasse a dor. olhou. não viu senão o cinza. o memso cinza de todas as coisas.
sentiu ainda na boca o gosto da fumaça que transpirava.
sentiu ainda na boca o gosto da fumaça que transpirava.
13.10.08
12.10.08
10.10.08
3.10.08
como chegou em casa ficou até dormir. horas depois. molhado. acordou nublado e cinza. cinza o jornal que fingiu ler. cinza o café que não tomou. cinza a fumaça do cigarro que tia fumava na janela da sala. fumaça suspensa. densa. como a fumaça no quarto cinza. voltou para a cama. fechou a cortina. esperaria a chuva cair novamente.
esperava a hora em que ia pingar.
esperava a hora em que ia pingar.
2.10.08
mais uma vez ele saiu. teimou naquela idéia. de se vestir. sair. e investir contra o cinza que se suspende no céu. no lugar do sol. achou que poderia encontrar uma brecha. um raio. mas achou um pingo. depois outros o acharam. voltou pra sua casa cinza.
ficou em casa molhado e cinza e suspenso como o dia.
ficou em casa molhado e cinza e suspenso como o dia.
1.10.08
depois de vinte e dois de setembro ele saiu de casa. o quarto deveria, agora, parar de flutuar. a cortina não iria mais impedir o sol de entrar. saiu e procurou as flores. saiu pra ver se via o sol. viu, na mesa branca do bar pequeno, as nuvens que de novo cobriam as árvores e o céu. misturando sombra e e chuva. o toró ainda cai! deicidiu que seria pra ele também, como f disse: outubro ou nada.
pra que serve um solstício se minha primavera não chega.
pra que serve um solstício se minha primavera não chega.
22.9.08
não era tanto o som
mas o eco de um violão
que o fazia acordar
todas as noites
às três e quarenta da manhã
pr aligar e desligar a tevê azul
pra sentar e deitar
virar e virar e desforrar o lençol da cama
e não pensar mais em nada
só ouvindo ecoar
o som das cordas espessas
presas
indo e voltando
batendo
nas paredes nas quinas nos cantos
daquele quarto vazio
flutuante
mas o eco de um violão
que o fazia acordar
todas as noites
às três e quarenta da manhã
pr aligar e desligar a tevê azul
pra sentar e deitar
virar e virar e desforrar o lençol da cama
e não pensar mais em nada
só ouvindo ecoar
o som das cordas espessas
presas
indo e voltando
batendo
nas paredes nas quinas nos cantos
daquele quarto vazio
flutuante
21.9.08
17.9.08
vem cá
me olha bem no olho
daquele jeito nosso
que me faz pensar nas flores
do arranjo de mesa da tua sala de estar
chega mais perto
põe minha mão na tua
me puxa
daquele jeito solto
que quase deixa encostar teu pé no meu
e faz dançar a tua saia verde e a minha bermuda jeans
aí me abraça apertado
daquele jeito junto
com o corpo inclinado
e a cintura chamando minha mão a rodar
depois encosta tua cabeça na minha
do teu jeito de lado
que faz misturar a minha barba e o teu cabelo enrolados
e me mostra o teu pescoço a beijar
e empresta teu ouvido à minha boca
prela te contar um segredo
prele ouvir em palavra
o que teu corpo conhece em beijo
daquele jeito nosso
que me faz pensar nas flores
do arranjo de mesa da tua sala de estar
chega mais perto
põe minha mão na tua
me puxa
daquele jeito solto
que quase deixa encostar teu pé no meu
e faz dançar a tua saia verde e a minha bermuda jeans
aí me abraça apertado
daquele jeito junto
com o corpo inclinado
e a cintura chamando minha mão a rodar
depois encosta tua cabeça na minha
do teu jeito de lado
que faz misturar a minha barba e o teu cabelo enrolados
e me mostra o teu pescoço a beijar
e empresta teu ouvido à minha boca
prela te contar um segredo
prele ouvir em palavra
o que teu corpo conhece em beijo
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talitas marias rebecas e outros clichês
16.9.08
eu tento olhar direto pro sol. esquecer da cortina arrancada. deitada. amassada no chao. vejo um raio que corta o quarto. vejo um azul. vejo o vermelho das minhas mãos e esqueço do sujo da chuva. esqueço por um segundo. mas penso que pode ser pra sempre. penso que posso queimar essa pele. torná-la seca e dura. tanto pra poder descamar noutra. pessoa.
sou pessoa que não escorre.
sou pessoa que não escorre.
5.9.08
é a angústia de reconhecer o branco de tudo. de saber que sou eu. quem sou eu?
cada gora de chuva que suja a cortina branca me mancha das coisas deque me escondo, não só nos sábados, mas todos os dias. fecharia a janela. mas não arrisco me levantar. um vento. um trovão. o clarão. acordo vermelho. mao na cabeça.
acordo.
cada gora de chuva que suja a cortina branca me mancha das coisas deque me escondo, não só nos sábados, mas todos os dias. fecharia a janela. mas não arrisco me levantar. um vento. um trovão. o clarão. acordo vermelho. mao na cabeça.
acordo.
4.9.08
eu olho pro lado. pra cortina branca que me esconde do sol de todas as manhãs e penso no que eu queria. no que eu poderia fazer numa noite de gripe e dor de cabeça.
talvez tomar uma aspirina. ouvir uma música calma. ver um filme engraçado. ou ler alguma coisa interessante.
no branco da cortina eu vi bem claro que nem caetano ou adriana calcanhoto. nem guimarães nem bandeira. nem almodovar nem chaplin. nada me acalmaria naquela noite.
nem mesmo aquele cafuné que tava me fazendo tanta falta.
talvez tomar uma aspirina. ouvir uma música calma. ver um filme engraçado. ou ler alguma coisa interessante.
no branco da cortina eu vi bem claro que nem caetano ou adriana calcanhoto. nem guimarães nem bandeira. nem almodovar nem chaplin. nada me acalmaria naquela noite.
nem mesmo aquele cafuné que tava me fazendo tanta falta.
30.8.08
dias
nos sábados eu me escondo
pra pensar nada
pra me vacinar
pra não ouvir os carros que passam
na avenida recife
fico só
com meus íntimos
e esquecimentos
fico só pra lembrar que amanhã é domingo
pra pensar nada
pra me vacinar
pra não ouvir os carros que passam
na avenida recife
fico só
com meus íntimos
e esquecimentos
fico só pra lembrar que amanhã é domingo
25.8.08
um dia eu quis abrir um buraquinho na pele dela. pra ver como ela era por dentro. pra saber de onde vinham seus beijos; como seus olhos faziam pra brilhar daquele jeito; e como ela conseguia deixar o coraçaõ falar pela boca.
quis desatar seu nó no umbigo. não consegui. fiz então um outro caminho. tentei olhar dentro dela por um cantinho escondido quela tem por trás do joelho. olhei bem pra tentar ver tudo. olhei uma vez e outra. depois de novo.
vi uma menina que brincava com o sol. ela dançava por tdo o seu corpo. e parava. parava de um jeito bonito. como se ensaiasse cada intervalo. como se não se mover fizesse parte de sua dança. ela corria e pulava, e gritava coisas queu não conseguia entender. e seu corpo crescia e se esticava conforme fosse sua vontade. depois se encolhia para voltar ao normal.
fechei o buraquinho que fiz. abri o olho do lado de fora. deitei novamente ao seu lado. me deu um beijo no nariz e no cantinho da boca. me abraçou. seu coração falou com as palavras que conhece e seus olhos luziram. não pensei de novo em olhar dentro dela.
quis desatar seu nó no umbigo. não consegui. fiz então um outro caminho. tentei olhar dentro dela por um cantinho escondido quela tem por trás do joelho. olhei bem pra tentar ver tudo. olhei uma vez e outra. depois de novo.
vi uma menina que brincava com o sol. ela dançava por tdo o seu corpo. e parava. parava de um jeito bonito. como se ensaiasse cada intervalo. como se não se mover fizesse parte de sua dança. ela corria e pulava, e gritava coisas queu não conseguia entender. e seu corpo crescia e se esticava conforme fosse sua vontade. depois se encolhia para voltar ao normal.
fechei o buraquinho que fiz. abri o olho do lado de fora. deitei novamente ao seu lado. me deu um beijo no nariz e no cantinho da boca. me abraçou. seu coração falou com as palavras que conhece e seus olhos luziram. não pensei de novo em olhar dentro dela.
29.7.08
transetando
nem aqui nem lá
num outro espaço
que não dá lugar
nem à saudade nem ao conforto
me encolho
olho pra dentro
e vejo o que não senti
nem lá nem aqui
num outro espaço
que não dá lugar
nem à saudade nem ao conforto
me encolho
olho pra dentro
e vejo o que não senti
nem lá nem aqui
25.7.08
hortelã
Há de sentir muita saudade
Beijo bala de hortelã
Do abraço exposto na cidade
Longas horas das manhãs
Há de lembrar dos fins de tarde
Em céu laranja o adeus do sol
E o sabor do chocolate
Em noites frias luva e lã
Do tempo tido como eterno no início da paixão
Pra sempre, sempre repetido nos sussurros do amor
Do sorvete dividido nas calçadas de verão
E dos segredos prometidos no primeiro réveilon
Deixa a vida lhe trazer recordações
(alvinho e ivor lancelloti) - fino coletivo
Beijo bala de hortelã
Do abraço exposto na cidade
Longas horas das manhãs
Há de lembrar dos fins de tarde
Em céu laranja o adeus do sol
E o sabor do chocolate
Em noites frias luva e lã
Do tempo tido como eterno no início da paixão
Pra sempre, sempre repetido nos sussurros do amor
Do sorvete dividido nas calçadas de verão
E dos segredos prometidos no primeiro réveilon
Deixa a vida lhe trazer recordações
(alvinho e ivor lancelloti) - fino coletivo
27.6.08
Festa do Band Aid: pra curar sua ressaca
mesmo que muitas correntes de email tentem descrever o que é ser amigo eu tenho kminha própria definição: é receber 156461354 vezes o mesmo convite pruma mesma festa que você já tinha confirmado presença há um tempão, e não só não se incomodar mas postar no seu blog bendito convite:
"Festa do Band Aid: pra curar sua ressaca"
O mês de Junho costuma ser o período de maior valorização das raízes regionais e da cultura tradicional pernambucana. Por todo Pernambuco se espalham festas regadas às manifestações mais tradicionais, valorizando a cultura popular de raiz. As festas juninas abrem espaço para os bacamarteiros, os coquistas, o forró pé-de-serra, a cantoria, a embolada. Mas passado o feriado de São João, as festividades seguem com mais escassez. O fim-de-semana de São Pedro costuma ser pouco lembrado.
Pensando nisso, o Coletivo Band Aid promove a festa de pré-lançamento do seu blog em homenagem ao santo padroeiro dos pescadores e detentor das chaves do paraíso. Que o velho São Pedro, arriminado de tanto ser esquecido pelos amostramentos de São João, resolveu abrir as portas do céu neste sábado, a partir das 15h, para quem se chegar no Bar de Salete, na Avenida Norte.
A "Festa do Band Aid: pra curar sua ressaca" vai reunir em uma mesma tarde a tradição dos poetas regionais, representados na figura do poeta Antônio Marinho, a embolada do coco com a apresentação do Mestre Galo Preto e o forró tradicional de pé-de-serra com a banda Pé-de-Calçada. O ingresso custa R$ 3 (três reais).
O Bar de Salete, também conhecido como Cantinho da Juli, é um recanto tradicional da Avenida Norte. Moradora no bairro de Casa Amarela, há mais de 20 anos, Salete oferece o próprio terraço para os visitantes que chegam para conferir seu arrumadinho e os seus caldinhos tradicionais. A vista panorâmica para a cidade do Recife é uma dos maiores agrados do bar, que conquista clientes fiéis. O Bar de Salete é a última casa de muro verde, na Rua Manoel Apolinário, n.º 158, transversal da Av. Norte, na altura da Concessionária Motoparts da Honda, logo depois do Sesc de Casa Amarela. O bar será especialmente decorado para a tarde com muito arrastapé, correio de amor, cerveja gelada e os quitutes de Dona Salete.
SERVIÇO:
o quê? Festa do Band Aid: pra curar sua ressaca
com quem: Antônio Marinho, Mestre Galo Preto e Pé de Calçada
quando: sábado, 28 de junho
onde: Bar de Salete (Rua Manoel Apolinário, 158, a rua da concessionária Honda na Avenida Norte)
quanto: r$3 (três reais)
hora: 15h
Coletivo Band Aid – Formado no início de 2008, o coletivo é um grupo de divulgação da música pernambucana. O grupo mantém um blog (http://coletivobandaid.blogspot.com), atualizado diariamente com a agenda cultural da cidade, destacando sempre os eventos e notícias das bandas locais com maior expressão da cultura da região. Contatos através do email coletivobandaid@gmail.com
Interessou? Pois elas tão sorteando ingresso. pode ir lá ver!
"Festa do Band Aid: pra curar sua ressaca"
O mês de Junho costuma ser o período de maior valorização das raízes regionais e da cultura tradicional pernambucana. Por todo Pernambuco se espalham festas regadas às manifestações mais tradicionais, valorizando a cultura popular de raiz. As festas juninas abrem espaço para os bacamarteiros, os coquistas, o forró pé-de-serra, a cantoria, a embolada. Mas passado o feriado de São João, as festividades seguem com mais escassez. O fim-de-semana de São Pedro costuma ser pouco lembrado.
Pensando nisso, o Coletivo Band Aid promove a festa de pré-lançamento do seu blog em homenagem ao santo padroeiro dos pescadores e detentor das chaves do paraíso. Que o velho São Pedro, arriminado de tanto ser esquecido pelos amostramentos de São João, resolveu abrir as portas do céu neste sábado, a partir das 15h, para quem se chegar no Bar de Salete, na Avenida Norte.
A "Festa do Band Aid: pra curar sua ressaca" vai reunir em uma mesma tarde a tradição dos poetas regionais, representados na figura do poeta Antônio Marinho, a embolada do coco com a apresentação do Mestre Galo Preto e o forró tradicional de pé-de-serra com a banda Pé-de-Calçada. O ingresso custa R$ 3 (três reais).
O Bar de Salete, também conhecido como Cantinho da Juli, é um recanto tradicional da Avenida Norte. Moradora no bairro de Casa Amarela, há mais de 20 anos, Salete oferece o próprio terraço para os visitantes que chegam para conferir seu arrumadinho e os seus caldinhos tradicionais. A vista panorâmica para a cidade do Recife é uma dos maiores agrados do bar, que conquista clientes fiéis. O Bar de Salete é a última casa de muro verde, na Rua Manoel Apolinário, n.º 158, transversal da Av. Norte, na altura da Concessionária Motoparts da Honda, logo depois do Sesc de Casa Amarela. O bar será especialmente decorado para a tarde com muito arrastapé, correio de amor, cerveja gelada e os quitutes de Dona Salete.
SERVIÇO:
o quê? Festa do Band Aid: pra curar sua ressaca
com quem: Antônio Marinho, Mestre Galo Preto e Pé de Calçada
quando: sábado, 28 de junho
onde: Bar de Salete (Rua Manoel Apolinário, 158, a rua da concessionária Honda na Avenida Norte)
quanto: r$3 (três reais)
hora: 15h
Coletivo Band Aid – Formado no início de 2008, o coletivo é um grupo de divulgação da música pernambucana. O grupo mantém um blog (http://coletivobandaid.blogspot.com), atualizado diariamente com a agenda cultural da cidade, destacando sempre os eventos e notícias das bandas locais com maior expressão da cultura da região. Contatos através do email coletivobandaid@gmail.com
Interessou? Pois elas tão sorteando ingresso. pode ir lá ver!
25.6.08
às vezes não adianta falar. repetir. as pessoas nem sempre estão dispostas a conversar. nem sempre estão querendo te ouvir. ele até sabia daquilo, mas teimava em falar. não se pensava que dessa vez sua voz teria um efeito diferente aos ouvidos dos outros. se achava que forçando parecer mais firme ou parecendo mais seguro daria uma força maior às suas idéias. sei que falava. e suas palavras tinha um som de súplica. pediam, imploravam para serem compreendidas. acho até que eram escutadas, mas não recebiam a atenção que ele queria que recebessem. e, pra falar a verdade, nem a mereceriam, se a tivesse. ainda assim, ele insistia. quem sabe um dia acertava.
22.6.08
iam as duas assim
brincando sob as ondas que o vento desenha
uma após a outra se colocavam
enchiam-se dos brilhos de si mesmas
se deixavam pintar pela luz e pela sombra
ora uma, outra de volta
iam felizes, me trazendo sorrisos
deixando em mim um cheiro
e uma lembrança de beleza imensa
brincando sob as ondas que o vento desenha
uma após a outra se colocavam
enchiam-se dos brilhos de si mesmas
se deixavam pintar pela luz e pela sombra
ora uma, outra de volta
iam felizes, me trazendo sorrisos
deixando em mim um cheiro
e uma lembrança de beleza imensa
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Hoje, depois de muito tempo resolvi ver um jogo de futebol na tv. Mas ver de verdade, como costumava fazer quando era adolescente. Fiquei apreensivo antes do começo do jogo. Não aquela apreensão de saber se o craque do time vai fazer aquele gol; ou porque o time adversário é forte; nem porque seu time do coração depende desse resultado pra se manter vivo na competição. Fiquei pensando como seria revisitar um velho hábito. Será que seria a mesma empolgação? A mesma adrenalina de quem grita baixinho pra não acordar os pais que estão dormindo?
Aí fiquei pensando. Será queu vou voltar a acompanhar o time. Torcer contra a equipe que está na frente no campeonato. Acompanhar todos os times da tabela jogo por jogo, pra imaginar como vai ser a próxima partida. Acho que a gente sempre se pergunta: como será que você seria se não tivesse perdido aquele hábito da infância ou da adolescência? Se não tivesse acabado aquele namoro, se não tivesse escolhido fazer jornalismo? Será que ainda seria a mesma pessoa, teria feito os mesmos amigos, comprado os mesmos discos e lido os mesmos livros? Será?
Foi pensando nisso queu esperei o jogo começar. Foi bom! Vez por outra me vi levantando o braço, sentindo aquele impulso de xingar o juiz. Comemorei dois gols contra o Vasco. E no intervalo ainda fui lembrado de duas decisões históricas (que lembro de ter assistido ao vivo em 1999 e 2000). Fiquei feliz com a vitória, vim na Internet olhar a classificação na tabela. Vi contra quem vão ser os próximos jogos, fui ver como as equipes vêm se apresentando.
Mas nem sei se vou ver o próximo jogo. Acho quessas coisas são sempre assim, né? Como uma recaída. Ficar de novo com aquela menina que você tinha dispensado; fumar só aquele último cigarro. Têm um gosto especial, talvez um saudosismo. Mas não é a mesma coisa. Não digo que foi decepcionante, mas não teve o mesmo efeito. Então eu penso: o que será que mudou? Ou, mais precisamente, quando foi que esse seja lá o que for mudou?
Aí fiquei pensando. Será queu vou voltar a acompanhar o time. Torcer contra a equipe que está na frente no campeonato. Acompanhar todos os times da tabela jogo por jogo, pra imaginar como vai ser a próxima partida. Acho que a gente sempre se pergunta: como será que você seria se não tivesse perdido aquele hábito da infância ou da adolescência? Se não tivesse acabado aquele namoro, se não tivesse escolhido fazer jornalismo? Será que ainda seria a mesma pessoa, teria feito os mesmos amigos, comprado os mesmos discos e lido os mesmos livros? Será?
Foi pensando nisso queu esperei o jogo começar. Foi bom! Vez por outra me vi levantando o braço, sentindo aquele impulso de xingar o juiz. Comemorei dois gols contra o Vasco. E no intervalo ainda fui lembrado de duas decisões históricas (que lembro de ter assistido ao vivo em 1999 e 2000). Fiquei feliz com a vitória, vim na Internet olhar a classificação na tabela. Vi contra quem vão ser os próximos jogos, fui ver como as equipes vêm se apresentando.
Mas nem sei se vou ver o próximo jogo. Acho quessas coisas são sempre assim, né? Como uma recaída. Ficar de novo com aquela menina que você tinha dispensado; fumar só aquele último cigarro. Têm um gosto especial, talvez um saudosismo. Mas não é a mesma coisa. Não digo que foi decepcionante, mas não teve o mesmo efeito. Então eu penso: o que será que mudou? Ou, mais precisamente, quando foi que esse seja lá o que for mudou?
2.6.08
luiz queria correr e dizer a ela que não. que não fizesse, que não fosse.
mas nao podia. não era a coisa deles. não era viver, assim.
ele a olhou de longe. parado naquele memso lugar onde dormiram por semanas. a via se afastar na grama ainda molhada. perdeu a vontade. baixou a cabeça. se ela estivesse a seu lado, lhe apertaria a mão. mas de longe não havia o que fazer.
ela, não sei que pensava. andava, se achava certa, creio. se determinava a não olhar pra trás. não hesitou sequer um passo.
ele aceitou seu lugar.
mas nao podia. não era a coisa deles. não era viver, assim.
ele a olhou de longe. parado naquele memso lugar onde dormiram por semanas. a via se afastar na grama ainda molhada. perdeu a vontade. baixou a cabeça. se ela estivesse a seu lado, lhe apertaria a mão. mas de longe não havia o que fazer.
ela, não sei que pensava. andava, se achava certa, creio. se determinava a não olhar pra trás. não hesitou sequer um passo.
ele aceitou seu lugar.
20.3.08
Maria
Eu me perdia nas ondas
Mar ia me levava
Eu no seu azul imenso
Me deixava sentir seu beijo
Mar ia me abraçava
Eu no seu sopro de vento
Me deixava absorver seu calor
Mar ia me levava
Eu no seu azul imenso
Me deixava sentir seu beijo
Mar ia me abraçava
Eu no seu sopro de vento
Me deixava absorver seu calor
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