fez-lhe bem aprender a lidar com a casualidade. não querer. não dizer. não fazer.
não.
apostar numa indiferença diferente. num deixar que esquece que se deixa. num olhar bem longe que sabe onde está. para ele, talvez, essa seja a melhor atitude. sua ausência.
Páginas
20.2.09
18.2.09
CASUAL
CASUAL, adj. 2 gên. Que depende do acaso; que acontece por acaso; fortuito; acidental; ocasional. (Do lat. casuale)
16.2.09
4.2.09
muitas vezes eu calo. fico comigo. não. vejo os emails. os recados. as "fotos comigo". sorrio. deixo uma mensagem na memória, sabendo que, memso que queira, não vou esquecer. depois de solquente e decisões, as cores. as cordas. os barulhos não-harmônicos.
queria mesmo um descanso das propagandas de carro.
queria mesmo um descanso das propagandas de carro.
3.2.09
português-inglês
passa dia. uma tarde. chuva. tosse. e a tela desce no computador. é muita dor de cabeça. é muita página descendo. tanta linha que falta. e eu, que num sei mais de nada. eu, que só penso na máscara de sexta-feira. e na do próximo sábado. esqueço as de todos os dias. sigo pessoas. sou seguido por quem menos esperava. sou esquecido.
lembro da minha vida dos outros. durmo.
lembro da minha vida dos outros. durmo.
13.1.09
quase não sobra nada
"sobram algumas palvras perdidas
desacompanhadas
sobra um pedaço perto do fim
sobra uma volumosa e amarga demência
sobra o tempo
passou"
fabio trummer e junio barreto
desacompanhadas
sobra um pedaço perto do fim
sobra uma volumosa e amarga demência
sobra o tempo
passou"
fabio trummer e junio barreto
6.1.09
23.11.08
sinal fechado. o carro parou. entre a locadora e o lava-a-jato, ela olhou pros dois lados. olhou pra frente. depois das ruas, o mar. prédios altos e um céu teimosamente nublado entre eles. precisava fumar. cadê o cigarro. no porta luvas, não. na bolsa., embaixo do banco. puxa debaixo do banco para o colo. mexe e volta. pra quê diabos serve uma bolsa desse tamanho?! olhou pro semáforo. demora mais quando a gente tem pressa.
branco. um guardanapo amassado em forma de flor. besteiras dele. ainda ali. como os barquinhos, pássaros, aviões que fazia com todo pedaço de papel que encontrava. nota fiscal, panfleto, guardanapo. incrível como não podia controlar. uma mania absurda. abandonava qualquer conversa pras fazer as estúpidas dobraduras. e as deixava em todo lugar. na mesa do bar, nas janelas, no bolso da camisa.
uma buzina. o sinal está verde. larga a bolsa no colo. parte. dobra à esquerda e segue paralela à praia. outro sinal. agora, o cigarro. acende, abre a janela. pega a pequena flor. branca, amassada. a mão a segura do lado de fora. e depois solta. o carro anda, a flor pequena voa na fumaça cinza dos escapamentos.
branco. um guardanapo amassado em forma de flor. besteiras dele. ainda ali. como os barquinhos, pássaros, aviões que fazia com todo pedaço de papel que encontrava. nota fiscal, panfleto, guardanapo. incrível como não podia controlar. uma mania absurda. abandonava qualquer conversa pras fazer as estúpidas dobraduras. e as deixava em todo lugar. na mesa do bar, nas janelas, no bolso da camisa.
uma buzina. o sinal está verde. larga a bolsa no colo. parte. dobra à esquerda e segue paralela à praia. outro sinal. agora, o cigarro. acende, abre a janela. pega a pequena flor. branca, amassada. a mão a segura do lado de fora. e depois solta. o carro anda, a flor pequena voa na fumaça cinza dos escapamentos.
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no verso,
talitas marias rebecas e outros clichês
21.10.08
pegou o pincel que ficava escondido numa das muitas gavetas do armário. e as tinatas. verde. azul. vermelho. em frente ao espelho, pintou. em todas as direções. sentido. passava a tinta como se limpasse a alma. como se colorisse os olhos. como se gozasse a dor. olhou. não viu senão o cinza. o memso cinza de todas as coisas.
sentiu ainda na boca o gosto da fumaça que transpirava.
sentiu ainda na boca o gosto da fumaça que transpirava.
13.10.08
12.10.08
10.10.08
3.10.08
como chegou em casa ficou até dormir. horas depois. molhado. acordou nublado e cinza. cinza o jornal que fingiu ler. cinza o café que não tomou. cinza a fumaça do cigarro que tia fumava na janela da sala. fumaça suspensa. densa. como a fumaça no quarto cinza. voltou para a cama. fechou a cortina. esperaria a chuva cair novamente.
esperava a hora em que ia pingar.
esperava a hora em que ia pingar.
2.10.08
mais uma vez ele saiu. teimou naquela idéia. de se vestir. sair. e investir contra o cinza que se suspende no céu. no lugar do sol. achou que poderia encontrar uma brecha. um raio. mas achou um pingo. depois outros o acharam. voltou pra sua casa cinza.
ficou em casa molhado e cinza e suspenso como o dia.
ficou em casa molhado e cinza e suspenso como o dia.
1.10.08
depois de vinte e dois de setembro ele saiu de casa. o quarto deveria, agora, parar de flutuar. a cortina não iria mais impedir o sol de entrar. saiu e procurou as flores. saiu pra ver se via o sol. viu, na mesa branca do bar pequeno, as nuvens que de novo cobriam as árvores e o céu. misturando sombra e e chuva. o toró ainda cai! deicidiu que seria pra ele também, como f disse: outubro ou nada.
pra que serve um solstício se minha primavera não chega.
pra que serve um solstício se minha primavera não chega.
22.9.08
não era tanto o som
mas o eco de um violão
que o fazia acordar
todas as noites
às três e quarenta da manhã
pr aligar e desligar a tevê azul
pra sentar e deitar
virar e virar e desforrar o lençol da cama
e não pensar mais em nada
só ouvindo ecoar
o som das cordas espessas
presas
indo e voltando
batendo
nas paredes nas quinas nos cantos
daquele quarto vazio
flutuante
mas o eco de um violão
que o fazia acordar
todas as noites
às três e quarenta da manhã
pr aligar e desligar a tevê azul
pra sentar e deitar
virar e virar e desforrar o lençol da cama
e não pensar mais em nada
só ouvindo ecoar
o som das cordas espessas
presas
indo e voltando
batendo
nas paredes nas quinas nos cantos
daquele quarto vazio
flutuante
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