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20.2.09

fez-lhe bem aprender a lidar com a casualidade. não querer. não dizer. não fazer.
não.
apostar numa indiferença diferente. num deixar que esquece que se deixa. num olhar bem longe que sabe onde está. para ele, talvez, essa seja a melhor atitude. sua ausência.

19.2.09

19 quase igual
18 casual

18.2.09

CASUAL

CASUAL, adj. 2 gên. Que depende do acaso; que acontece por acaso; fortuito; acidental; ocasional. (Do lat. casuale)
18 casual

16.2.09

vamos fazer de conta!

4.2.09

muitas vezes eu calo. fico comigo. não. vejo os emails. os recados. as "fotos comigo". sorrio. deixo uma mensagem na memória, sabendo que, memso que queira, não vou esquecer. depois de solquente e decisões, as cores. as cordas. os barulhos não-harmônicos.

queria mesmo um descanso das propagandas de carro.

3.2.09

português-inglês

passa dia. uma tarde. chuva. tosse. e a tela desce no computador. é muita dor de cabeça. é muita página descendo. tanta linha que falta. e eu, que num sei mais de nada. eu, que só penso na máscara de sexta-feira. e na do próximo sábado. esqueço as de todos os dias. sigo pessoas. sou seguido por quem menos esperava. sou esquecido.

lembro da minha vida dos outros. durmo.

13.1.09

quase não sobra nada

"sobram algumas palvras perdidas
desacompanhadas
sobra um pedaço perto do fim

sobra uma volumosa e amarga demência
sobra o tempo
passou"

fabio trummer e junio barreto

6.1.09

de novo

toda estrela tem sua história
que a maré apaga
no seu leva e traz
em marcha ré

23.11.08

sinal fechado. o carro parou. entre a locadora e o lava-a-jato, ela olhou pros dois lados. olhou pra frente. depois das ruas, o mar. prédios altos e um céu teimosamente nublado entre eles. precisava fumar. cadê o cigarro. no porta luvas, não. na bolsa., embaixo do banco. puxa debaixo do banco para o colo. mexe e volta. pra quê diabos serve uma bolsa desse tamanho?! olhou pro semáforo. demora mais quando a gente tem pressa.

branco. um guardanapo amassado em forma de flor. besteiras dele. ainda ali. como os barquinhos, pássaros, aviões que fazia com todo pedaço de papel que encontrava. nota fiscal, panfleto, guardanapo. incrível como não podia controlar. uma mania absurda. abandonava qualquer conversa pras fazer as estúpidas dobraduras. e as deixava em todo lugar. na mesa do bar, nas janelas, no bolso da camisa.

uma buzina. o sinal está verde. larga a bolsa no colo. parte. dobra à esquerda e segue paralela à praia. outro sinal. agora, o cigarro. acende, abre a janela. pega a pequena flor. branca, amassada. a mão a segura do lado de fora. e depois solta. o carro anda, a flor pequena voa na fumaça cinza dos escapamentos.

21.10.08

pegou o pincel que ficava escondido numa das muitas gavetas do armário. e as tinatas. verde. azul. vermelho. em frente ao espelho, pintou. em todas as direções. sentido. passava a tinta como se limpasse a alma. como se colorisse os olhos. como se gozasse a dor. olhou. não viu senão o cinza. o memso cinza de todas as coisas.

sentiu ainda na boca o gosto da fumaça que transpirava.

13.10.08

nesse teu balanço eu ia
fazia minha vida nessa calmaria
no teu abraço de mar
nesse teu beijo de brisa
nessa maré boa de se deixar flutuar

12.10.08

10.10.08

esperou. esperou. quis abrir novamente a cortina do quarto. antes branco, agora cinza. quis derreter a solidez das paredes. quis desfazer as fumaças da vida. queria memso ver azul. queria mesmo ver sentir. algo mais que a suspensão das sombras das folhas.

parecia firme quando caiu.

3.10.08

cinza é o corpo da fonte.
cinza meu corpo. minha fonte.
a nuvem.
o queu tenho de concreto e fumaça.
a água.

cinza o meu papel.
minha parte. minha letra.
a chave.
o queu achei que sabia e desconheço.
cinza.
como chegou em casa ficou até dormir. horas depois. molhado. acordou nublado e cinza. cinza o jornal que fingiu ler. cinza o café que não tomou. cinza a fumaça do cigarro que tia fumava na janela da sala. fumaça suspensa. densa. como a fumaça no quarto cinza. voltou para a cama. fechou a cortina. esperaria a chuva cair novamente.

esperava a hora em que ia pingar.

2.10.08

mais uma vez ele saiu. teimou naquela idéia. de se vestir. sair. e investir contra o cinza que se suspende no céu. no lugar do sol. achou que poderia encontrar uma brecha. um raio. mas achou um pingo. depois outros o acharam. voltou pra sua casa cinza.

ficou em casa molhado e cinza e suspenso como o dia.

1.10.08

depois de vinte e dois de setembro ele saiu de casa. o quarto deveria, agora, parar de flutuar. a cortina não iria mais impedir o sol de entrar. saiu e procurou as flores. saiu pra ver se via o sol. viu, na mesa branca do bar pequeno, as nuvens que de novo cobriam as árvores e o céu. misturando sombra e e chuva. o toró ainda cai! deicidiu que seria pra ele também, como f disse: outubro ou nada.

pra que serve um solstício se minha primavera não chega.

22.9.08

não era tanto o som
mas o eco de um violão
que o fazia acordar
todas as noites
às três e quarenta da manhã

pr aligar e desligar a tevê azul
pra sentar e deitar
virar e virar e desforrar o lençol da cama
e não pensar mais em nada

só ouvindo ecoar
o som das cordas espessas
presas
indo e voltando
batendo
nas paredes nas quinas nos cantos
daquele quarto vazio

flutuante

21.9.08

aí você acorda. olha pela janela. olha pro relógio do som e vê que não dormiu. vê que quem dorme ao teu lado é a mesma pessoa que estava ali na semana passda. vê que o teu lençol está no chão. vê que não está suando. que a mão dela segura a tua.

o resto do quarto flutua.