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15.1.08

aquele teu doce do céu.
aquele barulhinho do mar
aquele teu cheiro

são minha brisa de outono
queu quero pra todas as estações do ano

teu beijo com gosto de onda queu gosto tanto
a chuva caiu. e ele sentiu a beleza de cada gota. achou que seria poético chorar, mas evitou. apenas se riu daquelas gotas e dançou consigo no meio da noite. chegou em casa um novo homem e dormiu com o barulho do ventobatendo na árvore do quintal.

13.1.08

tem sempre alguma coisa que anuncia a chuva forte. cada um prevê de um jeito. pra uns basta sentir os pássaros voando pesados, olhar as nuvens cinzentas, ouvir o silêncio. pra ele era um certo tom de voz, que vinha não se sabe de onde, ao seu ouvido e dizia que nada iria acontecer. quando ouvia essas palavras, era chuva na certa! o dia amanhecia nublado e quente e ele espirrava. e ao mesmotempo pensava que quem sabe dessa vez realmente não fosse nada, só sua imaginação.
então saiu de casa correndo, queria ver se impedia o céu de chorar. pisou do lado de fora e se molhou e passeou na chuva, querendo fazê-la parar de cair, e querendo ele também despencar.

30.12.07

Eu fico assim
Vejo as folhas caírem
E sinto uma brisa em mim
ela se mente dos sonhos
que se deixa viver de verdade

ela se queixa do fogo
e se deixa aquecer com a brisa

ela se guarda
nos caminhos de águas

ela segue pisando
e encontra a vida nos pés

então se enraíza e cresce
e floresce

tão bela a flor
que se esquece

6.12.07

primeira sessão de fisioterapia. você chega, preenche os papéis, espera na recepção, até que a fisioterapeuta te chama. uma galega de aparelhos nos dentes, que parece ter no máximo dois meses a mais que você, mas ainda assim é chamada de doutora, com toda a pompa que você só associa àqueles senhores carecas com estetoscópio no pescoço. primeiro passo, envolver sua mão numa manta aquecida por uma máquina de ondas térmicas.
dez minutos depois, quando sua mão já está bem quente, é a vez da ultrassom. sim, um aparelho de ultrassom que age no tecido inflamado. e pronto. terminou, até a próxima sessão. pra quem imaginou exercícos e repetições de estica e contrai, isso foi bem.. est.. diretente; mas faz você pensar em como as máquinas estão domindando o mundo.

27.11.07

em pé

entre cada solavanco
um sonho

o balanço do carro balança a carga
que vai e segue e pára e anda

sonha nos intervalos dos sinais
e vive a esperar sua hora de saltar
de vez em quando eu me pego acrditando em palavras.
aí escrevo, no verso dum papel qualquer, as benditas que me aperreiam.
às vezes funciona, às vezes não.

21.11.07

ela muda
eu gota

pingo
pingo
pingo

até que floresce o sorriso

eu rio
ela nada
no meu abraço
forte e azul

25.10.07

vinho

ela prende o fôlego e derrama o vinho
derruba o copo
derruba o corpo
tudo em volta se contorce
e ela cai

mancha a mesa, escorre pelo canto
pulsa em pingos
voando ao chão
o tinto corre
se liquefaz

o cheiro do álcool inebria
toda a sala
se embriaga
no ritmo de uma vaga
ela jazz

atura a fumaça e a luz do neon
anula a carne das veias
a garrafa cheia
de brilho e de vinho
se desfaz

sente o frio, sente a espinha
sente o atrito
em volta de si
sente um grito
e cai.

29.7.07

disseca

me leva pra tua chuva
me tira do eixo
despe a minha alma
e me tira o freio

me tira dessa dimensão
preu poder entender

traduz a minha voz,
meus movimentos
me mostra, de uma só vez,
mil sentimentos

me deixa ouvir teu samba
preu poder entender

então me toma pelo braço
me eleva
alto, e mais alto
me atravessa

me deixa ver o teu sol
preu poder entender

28.3.07

Sofia era uma borboleta

Sofia brincava comigo
Se fingia
Se abria em asas
pra se fechar em risos

Sofia não falava nada
Só me atiçava
Apertava os olhos e o umbigo
e se ia.

21.10.06

aos poucos

Toda aquela densidade
Toda aquela gravidade
E toda a solicitude
São só a luz refletida

No vazio do espelho.

Todo aquele jazz antigo
Que ela ouvia por todo o tempo
Não era mais que miragem
Para entretê-la na frente

Do espaço do espelho.

Seus olhos fundos e fixos
Naquela teia de texturas
Que a envolvia lentamente
Entre as nuvens que se escondem

No verso do espelho.

http://www.flickr.com/photos/vertigem/272372305/

6.10.06

não há homem mais correto
do que aquele que corre
em defesa do seu erro

que, do mosaico que sabe
ter escondido nas nuvens
que traz por detrás dos olhos,

faz sair, como de um impulso
qualquer, o brilho branco
de algum sol que o assimila

23.6.06

ele veio e fechou os olhos.
a fumaça concreta o vencia.
a sala vazia o sufocava.
a porta fechada, os degraus da escada.
nada.

foi assim que a sombra que ele escondia nos olhos se dissipou.

4.6.06

Refletiu tantas vezes
que já sabe de cor conjugar as constelações
Não consegue, mas tenta,
apagar as sombras das nuvens nos olhos que esconde
Então, faz de conta que a lua o pergunta:

"e agora, pra onde?"

28.5.06

A hora certa, acorde e vá pasear

Busque, embaixo do travesseiro, caminhos que se escondem por lá

Então brinque com o rosa e o azul das cores
Brinque de comer flores, brinque até se cansar!
E, no fim, quando você não se segurar mais
Tudo se enrola, imóvel, naquele lençol de girassóis.
Os olhos de ostras não vão mais chorar.

8.5.06

todo mundo sabe o que significa.

um salto pro mundo
com uma nuvem de fundo.

é a beleza que inspira
a beleza
que não tem mais fim.


é aquela folha amarela e amassada
no meio do eterno do jardim.

sabe aquele gostinho..?
sabe, sabe sim.
ele gostava de poesia
tomava cerveja
e discutia economia

era tudo o que achou que um dia poderia

então rompeu seu raio
pulou da sacada
sem nem olhar pro alto.
vôou por dias e mais

depois voltou
e não morreu jamais.

1.3.06

...

toda estrela tem sua história
que a maré apaga
no seu leva e traz
em marcha ré