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6.5.10
doméstico
tomei na noite passada as cervejas que tinha guardado pra tua vinda. comprei outras dpeois, que cê inda vai encontrar na geladeira. mas o fato é que bebi as suas. mas cê sabe. ontem fiz uma faxina de livros, revistas e vida. bem dessas que a gente não consegue fazer a palo seco. ou com a garganta seca, que seja. estavam ótimas. véu de noiva, como cê queria, e como não sei se essas outras estarão quando cê for beber. os cigarros tão na gaveta da direita da mesa se estudo. não mexa em mais nada. meus papéis estão ordenados. esteja em casa, eu volto já. fui comprar uma mesa de cabeceira que não acho que preciso.
22.4.10
berenice me disse que não se perdoaria. e eu que sabia que era verdade sorri. escrevi um =p num guardanapo da mesa e passei ao outro lado. sei que seria impossível a ela viver ignorando esse fato. não esquecia nada. nunca. tinha a memória queu jamais invejei ter. eu que me lembro, mas gosto de esquecer. sabia nomear todos os filmes que vimos juntos em três anos passados. e com quem estávamos todas as vezes que nos cruzamos naqueles shows da ceninha, em que ela trabalhava e eu só bebia. era assim que ela vivia. e hoje, tendo dito o que disse, eu soube que não era mentira. por isso a risada e o recado. pra que também ficassem guardados. pra que fossem sempre associados a sua falta de perdão. como sei que ficariam. já que de tudo ela se lembrava. eu é que dali a três outros anos, quem sabe, lembraria mais do =p no guardanapo que de qualquer falta que ficasse sem perdão.
17.4.10
por pouco não escrevo um post sobre o todo
culpa de amaranta
que em tudo me pergunta
o quanto eu sei acredito e vejo
no tanto que desejo
e se eu pergunto quem sabe
se cabe
ou como sente
não sei se quero resposta
sei que quero uma noite
uma vida
outra coisa que sinta
uma conversa que alonga
e um pouco de tudo
e que é tudo o que a gente pode querer
que em tudo me pergunta
o quanto eu sei acredito e vejo
no tanto que desejo
e se eu pergunto quem sabe
se cabe
ou como sente
não sei se quero resposta
sei que quero uma noite
uma vida
outra coisa que sinta
uma conversa que alonga
e um pouco de tudo
e que é tudo o que a gente pode querer
10.4.10
num dia escolheu ser branco. acompanharia a vida dessa forma. se quis fazer branco pra sempre. e seguir. esquecce um detalhe simples. esqueceu que o branco carrega em si todas as cores. e o peso disso dentro dele não cabia. desabou branco na esquina. sangrou verde e azul. voou pedaços de amarelo e vermelho. a chuva caiu e varreu.
juntou-se novamente em algum bueiro da cidade branco.
juntou-se novamente em algum bueiro da cidade branco.
9.4.10
entranhei
estranhei a rua. essa chuva não para e o frio parece que chegou. caminho poucos pingos. e passo as prateleiras com cara de quem comeu mais do que deveria. a notícia de um sanduíche me dá água nos olhos. e eu choro a beterraba desifratada. o coalho e o parma. e a volta carrega o leite e o coração na sacola. e não é saudade. é o peso da escolha. e o que não é mais estranho está tão dentro que incomoda. não se desloca mais.
solto no chão a certeza de que alheio sou eu.
solto no chão a certeza de que alheio sou eu.
5.4.10
29.3.10
28.3.10
pititinga
22.3.10
ano novo ou nota sobre romance
hoje eu assiti romance. sábado passado, sem nem lembrar. sem nem pensar muito. fui à locadora do outro laod da rua e escolhi 4 filmes. romance um deles. me chamou atenção entre os filmes brasileiros na gondola. a capa bonita. amarela e com os meio-sorrisos de leticia sabatella e wagner moura. do outro lado, a direção de guel arraes. foi o último a ser escolhido. o fim é que o foi. e hoje foi visto.
e no meio de tanta imagem e tanta coisa uma frase me fez lembrar de outra frase. na verdade dela mesma dita em outras palavras. por outra mulher. em outras circunstãncias. um ano atrás. quase exato. hoje e há um ano, duas mulheres me diziam que "sempre é uma invenção a pessoa por quem a gente se apaixona". e eu compreendi então como hoje as verdades dessa frase. e discuto com ela agora, como discuti antes. mas discuto comigo. guardando segredo até desse post sobre minhas idéias.
escrevo apenas para marcar a ironia de completar um ano em lugares tão identicamente diferentes. e que me fazem pensar que março, não pelo fim do carnaval, mas pelas frases de um filme, me marcam o começo da vida nova. e que esse blog possa acompanhar minha mudança sempre presente.
e no meio de tanta imagem e tanta coisa uma frase me fez lembrar de outra frase. na verdade dela mesma dita em outras palavras. por outra mulher. em outras circunstãncias. um ano atrás. quase exato. hoje e há um ano, duas mulheres me diziam que "sempre é uma invenção a pessoa por quem a gente se apaixona". e eu compreendi então como hoje as verdades dessa frase. e discuto com ela agora, como discuti antes. mas discuto comigo. guardando segredo até desse post sobre minhas idéias.
escrevo apenas para marcar a ironia de completar um ano em lugares tão identicamente diferentes. e que me fazem pensar que março, não pelo fim do carnaval, mas pelas frases de um filme, me marcam o começo da vida nova. e que esse blog possa acompanhar minha mudança sempre presente.
21.3.10
17.3.10
pouco
é pouco e bobo. e eu sei. mas ao achar uma foto esquecida eu encontro uma fonte de ânimo. ver o encontro que fui. com o rio e burle marx. e que não se apagou. queria ter sido maduro para não ter destruido tantos outros. que foram também assim pequenos e bobos. e hoje nem isso mais são.
16.3.10
pequena poesia colaborativa
mas que se pode fazer
estamos na vida a correr
e os riscos a nos correr
corre corre
mata-mata
(mata não)
e vive só
estamos na vida a correr
e os riscos a nos correr
corre corre
mata-mata
(mata não)
e vive só
10.3.10
morada
sentado na cadeira velha o homem pensa na vida boba enquanto vê o céu mudar suas cores. na varanda da cozinha o cheiro forte das ervas na panela fervendo o chá completam a cena fatalidade do dia. de cair em si e viver só. é o que pode ser nesse fim de tarde ardido e quente, sem brisa e sopro. é o que espera a noite: uma xícara três páginas e muita falta de sono. e na dureza do chão da sala esperar as paredes encolherem até o teto se fazer um ponto branco e sem fim pra que se perca de si.
3.2.10
vinho e canela
Rafa no canto dela. Conversava com alguém que eu não conhecia. Nem mesmo sabia como havia ido parar ali. Ao lado dela. No canto da nossa sala. Numa das almofadas vermelhas e brancas perto da janela. Ela conversava alegre. Parte culpa do vinho. A outra parte não sei se era a companhia, o ambiente. Ou a música. Ou da atmosfera. Estava na sua hora da madrugada, como ela diria se estivéssemos mais próximos. Ela tinha na mão um cigarro, que segurava com aparente displicência. O quinto ou sexto da noite. Ou pelo menos o quinto ou sexto que eu havia acendido. Rafa não acendia seus próprios cigarros. Normalmente confiava a mim essa tarefa. Acender e dar a primeira tragada. Aí fumava como se fosse estivesse fumando o mesmo cigarro há horas. Não sei se teria feito tal pedido ao companheiro desta noite.
Ela falava um pouco. Depois parava para ouvir. E enquanto ouvia, olhava para o sujeito como se ali na frente dela houvesse uma tela pontilhista. Admirava concentrada, como se fazendo os pontos se juntarem e se separarem. Uma dança de compor e desconstruir a imagem com os olhos. O cigarro ia à boca rapidamente. E depois fugia, como se o cigarro puxasse a mão, tentando durar mais tempo com ela.
Procuro meu vinho na mesa. Passeio os olhos na sala. Finjo prestar atenção às conversas em volta. As lembranças das férias de tempos atrás. Todos estranhos amigos. Poucos dos quais vi no último mês, mas com quem consigo conversar por horas sem problemas. Hoje é que não. Disfarço a desatenção e recolho as taças vazias. À cozinha. Taças na pia, para lavar amanhã, garrafas e rolhas separadas. Demoro com a cabeça na sala. Nas almofadas ao canto, perto da janela.
– Ei Roberto, vamo pra praia!
– Ã?!
Luiza chegou na cozinha e tomou meu lugar à frente da geladeira, queu mantinha aberta apenas para pensar. “A gente ta indo na praia. Bora.” Pegou duas garrafas de vinho e voltou pra sala. “Cê pega o saca-rolhas, Beto? Acho que ficou aí.” Chego na sala, saca-rolhas na mão. Rafa está na janela. Sozinha, em pé. A porta aberta, alguns já no corredor do prédio, outros terminando de pegar o que vão levar. Luiza grita de dentro do quarto vai pegar uma canga e sandálias emprestadas.
Vou à janela, pergunto se ela vem. Vira pra mim, tira o cigarro da boca. (Ainda o mesmo?) E me diz que não. Está cansada. Vai ficar.
– Teu amigo, já saiu?
– Quem? O Lucas?
– Sei lá que nome tem, nunca vi, aquele que tava aí..
– Foi no banheiro, mas acho que não vai querer ir com vocês não.
– Bora Beto! Vai ficar eim?!
Rafa achou melhor que eu fosse logo. Estaria bem.
Fui. Luiza era a única que ainda esperava em frente à porta. O elevador já havia descido com os outros. Fomos de escada. Ela tinha pressa. Eu ia com a ajuda de todos os santos. Cada degrau atraía meu pé com a força de um pólo oposto. E cada avanço era um esforço. Um fôlego. Cada passo, uma perda. Eu seguia porque pensava, e evitava voltar àquele canto de sala. As taças na mão pesavam. Querendo cair e quebrar. Eu segurava à força. Pra também ficar em pé. Até o fim da escada. Até a entrada. Até a calçada.
Enquanto alguns guardavam as coisas nos carros, “para adiantar a volta”, continuei andando. Agora sendo expulso daquele lugar. Sem olhar. Não pus a cabeça para cima. Não quis ver a janela ou as luzes acesas. As ruas vazias e as lâmpadas dos postes eram minha calma. Assim como o equilíbrio das taças. Uma curva à esquerda e uma quadra. Pouco mais de cem metros e estaríamos na praia. O barulho no silêncio da noite não negava.
Esperei pelos outros. Sentei o mais próximo do mar que pude, sem me afastar dos demais. Luiza sentou ao meu lado. Me tomou as taças das mãos e deixou na areia. Perguntou pelo abridor, depois passou a diante. Deitou. A cabeça no meu colo. Os braços na areia. A canga deixou para lá. Olhou pra cima, o rosto de lado. E falou dos nossos intensos e impossíveis namoros. Dela com as estrelas; meu com o mar.
Era o tipo de pessoa que não se podia ignorar. Pela alegria. Pela vida. Pela harmonia que tinha com ela. Luiza entendia a todos. A mim, mais que eu mesmo. E foi sempre assim. Nunca me dizia nada. Mas com os olhos me deixava saber que pensava. Por isso não olhei para baixo quando virou para mim. Iria deixar o mar balançar suas verdades. Queria que as mandasse embora. Que as levasse pra longe. Pro outro lado. E que só voltassem à praia quando as ondas também já me tivessem levado.
Ela continuou olhando. E falando das estrelas que via. Eu só fingi que escutava. Esquecido de qualquer astronomia que conhecesse. Me esforcei ouvir uma anedota qualquer e querer rir. Depois de ela levantada virei o corpo para a roda. Pegar uma taça de vinho e beber. Mesmo que não funcionasse, distrairia. A mim ou a Luiza. E afastaria a outra dali. Da luz acesa, vista pela janela aberta da sala. Que sabe não era isso o que faltava.
Horas passadas assim seriam antes bem-vindas. Quaisquer que fossem as condições. Hoje aquelas pessoas não eram as minhas, ainda que pensassem que eu fosse delas. As duas garrafas de vinho foram pouco para o grupo de sete. Mas ninguém quis voltar, buscar mais. Eu que não sugeri, aceitaria a proposta. Mas fiquei.
Dali para as cinco horas não demorou. O sol nos encontrou voltando no caminho por que viemos. Alguns quase dormindo. Outros cantando. Quase todos bêbados. Andando nas calçadas recém aquecidas pela manhã. Deixados todos em seus carros ou táxis, subi. Calçada, escada, porta de entrada. Cinco andares e casa.
Deixei a pequena bagunça para quando meu domingo acordasse. Banho e cama. E que o sono cuidasse de sossegar a cabeça que não parava. Mesmo depois de ver o canto da sala vazio. Sem sinal de seus habitantes naquela madrugada. Deixaria os olhos fecharem e esquecerem. E quem sabe com eles também o peito esqueceria mais essa vez.
Ouço a porta abrir. Abro os olhos aos poucos. A porta fecha. Ela quase cambaleia. Tira os sapatos no corredor. Passa a porta do quarto, aberta, e vai à janela. Estou de vez acordado. Rafa se aproxima e se senta no canto da cama. Massageias os pés e me deixa alisar suas costas. Abre a bolsa puxa um cigarro e o isqueiro. Acendo. Dou a primeira tragada. Seu cigarro tem sabor canela. Ela me beija e reclama não ter me pedido para acender mais um antes de sair para a praia.
– Passei a noite com vontade desse cigarro.
Ela falava um pouco. Depois parava para ouvir. E enquanto ouvia, olhava para o sujeito como se ali na frente dela houvesse uma tela pontilhista. Admirava concentrada, como se fazendo os pontos se juntarem e se separarem. Uma dança de compor e desconstruir a imagem com os olhos. O cigarro ia à boca rapidamente. E depois fugia, como se o cigarro puxasse a mão, tentando durar mais tempo com ela.
Procuro meu vinho na mesa. Passeio os olhos na sala. Finjo prestar atenção às conversas em volta. As lembranças das férias de tempos atrás. Todos estranhos amigos. Poucos dos quais vi no último mês, mas com quem consigo conversar por horas sem problemas. Hoje é que não. Disfarço a desatenção e recolho as taças vazias. À cozinha. Taças na pia, para lavar amanhã, garrafas e rolhas separadas. Demoro com a cabeça na sala. Nas almofadas ao canto, perto da janela.
– Ei Roberto, vamo pra praia!
– Ã?!
Luiza chegou na cozinha e tomou meu lugar à frente da geladeira, queu mantinha aberta apenas para pensar. “A gente ta indo na praia. Bora.” Pegou duas garrafas de vinho e voltou pra sala. “Cê pega o saca-rolhas, Beto? Acho que ficou aí.” Chego na sala, saca-rolhas na mão. Rafa está na janela. Sozinha, em pé. A porta aberta, alguns já no corredor do prédio, outros terminando de pegar o que vão levar. Luiza grita de dentro do quarto vai pegar uma canga e sandálias emprestadas.
Vou à janela, pergunto se ela vem. Vira pra mim, tira o cigarro da boca. (Ainda o mesmo?) E me diz que não. Está cansada. Vai ficar.
– Teu amigo, já saiu?
– Quem? O Lucas?
– Sei lá que nome tem, nunca vi, aquele que tava aí..
– Foi no banheiro, mas acho que não vai querer ir com vocês não.
– Bora Beto! Vai ficar eim?!
Rafa achou melhor que eu fosse logo. Estaria bem.
Fui. Luiza era a única que ainda esperava em frente à porta. O elevador já havia descido com os outros. Fomos de escada. Ela tinha pressa. Eu ia com a ajuda de todos os santos. Cada degrau atraía meu pé com a força de um pólo oposto. E cada avanço era um esforço. Um fôlego. Cada passo, uma perda. Eu seguia porque pensava, e evitava voltar àquele canto de sala. As taças na mão pesavam. Querendo cair e quebrar. Eu segurava à força. Pra também ficar em pé. Até o fim da escada. Até a entrada. Até a calçada.
Enquanto alguns guardavam as coisas nos carros, “para adiantar a volta”, continuei andando. Agora sendo expulso daquele lugar. Sem olhar. Não pus a cabeça para cima. Não quis ver a janela ou as luzes acesas. As ruas vazias e as lâmpadas dos postes eram minha calma. Assim como o equilíbrio das taças. Uma curva à esquerda e uma quadra. Pouco mais de cem metros e estaríamos na praia. O barulho no silêncio da noite não negava.
Esperei pelos outros. Sentei o mais próximo do mar que pude, sem me afastar dos demais. Luiza sentou ao meu lado. Me tomou as taças das mãos e deixou na areia. Perguntou pelo abridor, depois passou a diante. Deitou. A cabeça no meu colo. Os braços na areia. A canga deixou para lá. Olhou pra cima, o rosto de lado. E falou dos nossos intensos e impossíveis namoros. Dela com as estrelas; meu com o mar.
Era o tipo de pessoa que não se podia ignorar. Pela alegria. Pela vida. Pela harmonia que tinha com ela. Luiza entendia a todos. A mim, mais que eu mesmo. E foi sempre assim. Nunca me dizia nada. Mas com os olhos me deixava saber que pensava. Por isso não olhei para baixo quando virou para mim. Iria deixar o mar balançar suas verdades. Queria que as mandasse embora. Que as levasse pra longe. Pro outro lado. E que só voltassem à praia quando as ondas também já me tivessem levado.
Ela continuou olhando. E falando das estrelas que via. Eu só fingi que escutava. Esquecido de qualquer astronomia que conhecesse. Me esforcei ouvir uma anedota qualquer e querer rir. Depois de ela levantada virei o corpo para a roda. Pegar uma taça de vinho e beber. Mesmo que não funcionasse, distrairia. A mim ou a Luiza. E afastaria a outra dali. Da luz acesa, vista pela janela aberta da sala. Que sabe não era isso o que faltava.
Horas passadas assim seriam antes bem-vindas. Quaisquer que fossem as condições. Hoje aquelas pessoas não eram as minhas, ainda que pensassem que eu fosse delas. As duas garrafas de vinho foram pouco para o grupo de sete. Mas ninguém quis voltar, buscar mais. Eu que não sugeri, aceitaria a proposta. Mas fiquei.
Dali para as cinco horas não demorou. O sol nos encontrou voltando no caminho por que viemos. Alguns quase dormindo. Outros cantando. Quase todos bêbados. Andando nas calçadas recém aquecidas pela manhã. Deixados todos em seus carros ou táxis, subi. Calçada, escada, porta de entrada. Cinco andares e casa.
Deixei a pequena bagunça para quando meu domingo acordasse. Banho e cama. E que o sono cuidasse de sossegar a cabeça que não parava. Mesmo depois de ver o canto da sala vazio. Sem sinal de seus habitantes naquela madrugada. Deixaria os olhos fecharem e esquecerem. E quem sabe com eles também o peito esqueceria mais essa vez.
Ouço a porta abrir. Abro os olhos aos poucos. A porta fecha. Ela quase cambaleia. Tira os sapatos no corredor. Passa a porta do quarto, aberta, e vai à janela. Estou de vez acordado. Rafa se aproxima e se senta no canto da cama. Massageias os pés e me deixa alisar suas costas. Abre a bolsa puxa um cigarro e o isqueiro. Acendo. Dou a primeira tragada. Seu cigarro tem sabor canela. Ela me beija e reclama não ter me pedido para acender mais um antes de sair para a praia.
– Passei a noite com vontade desse cigarro.
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talitas marias rebecas e outros clichês
25.1.10
mais de mês
um ano quase não passa sem movimento. e tantas palavras verdadeiras quanto se conseguuir achar. verdades e palavras. eu encontrei algumas nas ruas nas águas e nas bocas na cidade. ou passeando soltas no vento. hoej eu ando sempre esperando esbarrar noutras muitas. pra correr o ano bem. e aguentar sóbrio o tempo.
12.12.09
11.12.09
de cor
uma ferroada. duas. um buraco. choro o sangue escorre. tanta coisa morre para ser vermelho. e eu mesmo hoje penso e espero uma cor qualquer que salve. que tape a carne que fica no corpo. ou que meu próprio vermelho se sare. ou que passe esse bicho essa coisa que me passou com tanta força.
ou que durma o resto de alma. ou que pare.
ou que durma o resto de alma. ou que pare.
9.12.09
27.11.09
12.11.09
23.10.09
21.10.09
nervoso. balança as pernas. mexe as mãos. se esquece do resto. de todas coisas. obrigações não existem enquanto não se resolve a situação. puxa cabelo. roi unha. vai ter uma parada cardiaca a qualquer momento. faz figa e reza. fecha o olho pede pra todo santo que existir. uma vitória! uma vitória preu não desistir.
em algum palavra esqueceu a vontade. em alguma conversa perdeu o tesão. não sabia por que continuar. não sabia. por quê não? levantou do banco da sala. olhou pra janela do céu, na parede do quarto. fechou os olhos. respirou fundo. pulou o muro da da casa. pulou as calçadas na rua. amanhã voltaria a pensar dentro das linhas. hoje ia procurar novos olhares.
17.10.09
perdido
é noite, todos dormem.
eu sozinho, viro a noite
procurando as fotos daquela viagem
é noite e eu preciso
encontrar algo vivo
entre as lembranças de tempos atrás
é noite e eu respiro
busco ar na poeira das caixas
nas cores de outras noites passadas
é noite e eu resisto
ao sono, ao cansaço e ao frio
para me encontrar nas lembranças alheias
é noite, quase de manhã
e eu encontro outros dias perdidos
com imagens demais para fazerem sentido
é dia e eu me viro
retiro tudo o que disse
só quero dormir e saber que existo
eu sozinho, viro a noite
procurando as fotos daquela viagem
é noite e eu preciso
encontrar algo vivo
entre as lembranças de tempos atrás
é noite e eu respiro
busco ar na poeira das caixas
nas cores de outras noites passadas
é noite e eu resisto
ao sono, ao cansaço e ao frio
para me encontrar nas lembranças alheias
é noite, quase de manhã
e eu encontro outros dias perdidos
com imagens demais para fazerem sentido
é dia e eu me viro
retiro tudo o que disse
só quero dormir e saber que existo
16.10.09
9.10.09
pedido
outra dose, outra dose
um abraço bebado
uma queda com risos
mais um beijo escondido
outra dose garçom
pela moça que vem vindo
pra esconder dela o olhos
pra perder nela o corpo e as mãos e pedir
outra dose, mais uma
e calma agora na espera
do não final do sim
e do copo que chega já
com outra dose e a vontade
de deitar a cabeça os ombros
um cafuné de paz e resposta
um cochicho e o sorriso
e outra dose, saideira
pra esuqecer e lembrar
e sair de casa e ver o dia
um sol aqui que vem sei lá pra quem
um abraço bebado
uma queda com risos
mais um beijo escondido
outra dose garçom
pela moça que vem vindo
pra esconder dela o olhos
pra perder nela o corpo e as mãos e pedir
outra dose, mais uma
e calma agora na espera
do não final do sim
e do copo que chega já
com outra dose e a vontade
de deitar a cabeça os ombros
um cafuné de paz e resposta
um cochicho e o sorriso
e outra dose, saideira
pra esuqecer e lembrar
e sair de casa e ver o dia
um sol aqui que vem sei lá pra quem
8.10.09
cornerstone
she was close and she held me very tightly
until I asked awfully politely: "please,
can i call you her name?"
[...]
she was close, well you couldn't get much closer
she said "i'm really not supposed to, but, yes
you can call me anything you want"
until I asked awfully politely: "please,
can i call you her name?"
[...]
she was close, well you couldn't get much closer
she said "i'm really not supposed to, but, yes
you can call me anything you want"
30.9.09
26.9.09
25.9.09
coisas que não esqueço
a risada tranquila
e o abraço sincero
que sempre nos foram presentes
te entrego
pra levar contigo
e guardo também aqui
pra você buscar quando chegar
e o abraço sincero
que sempre nos foram presentes
te entrego
pra levar contigo
e guardo também aqui
pra você buscar quando chegar
23.9.09
pra escrever
pra escrever outra coisa menos bonita, menos rimada, mas ainda com vontade de ser lida:
eu não consigo ter um blog só:
valores-notícia
eu não consigo ter um blog só:
valores-notícia
21.9.09
e penso na vida
e como se não bastasse
na vida dos outros
e no tempo e no espaço
e em tanta outra coisa
que já não me cabe
e eu esqueço de tudo
não faço mais nada
pensando nas coisas
que eu vejo e escuto
mas não me fazem
eu não durmo
eu não durmo
pra acender as luzes
até o outro dia
e não vejo apagar
acordo pulo
coro pra lá
e o dia me esconde
o resto de vida
que vai por aí
e como se não bastasse
na vida dos outros
e no tempo e no espaço
e em tanta outra coisa
que já não me cabe
e eu esqueço de tudo
não faço mais nada
pensando nas coisas
que eu vejo e escuto
mas não me fazem
eu não durmo
eu não durmo
pra acender as luzes
até o outro dia
e não vejo apagar
acordo pulo
coro pra lá
e o dia me esconde
o resto de vida
que vai por aí
16.9.09
rascunho 28.03.2008
a gente vai fazendo o que pode. empurra daqui, puxa de lá. dá uma volta e amarra. a gente pensa que vai segurar. que o nó fica firme. mas afrouxa. a gente se perde. pensa que não vai mais. não pensa mais. era só pra dizer que sim. sentei, senti, chorei.
diário
de todos os dias ele levava uma coisa. e tentava guardar. uma frase uma imagem um cheiro ou um nome. anotava tudo nom bloco, com data hora lugar e sentimento. e olhava todo fim de mês. a ver o que colecionara de vida. olhava todo fim de ano. lembrando o que passara. e sempre a algria. a tristeza. a harmonia. a criança. a manhã. a moça. a música. o sorriso. e o sol. sempre uma coisa nova.
hoje fechou os olhos e escreveu o fim.
hoje fechou os olhos e escreveu o fim.
15.9.09
9.9.09
vai-não-vai-não-vai
me sinto anos mais novo. com tudo o que isso traz de bom e ruim. com tudo o que isso significa de mim. com tudo o que isso pode dizer. e dezesseis anos não é uma idade pra se ter depois de um inverno tão cheio.
1.9.09
30.8.09
com um copo de uísque na mão
eu olho o fogo
que toma as paredes
fantasmas largados em volta
debocham com risos
da minha derrota
mais um gole
as cores quentes
explodem vida
por todos os lados
eu assisto o espetáculo de dentro
cada livro porta vaso
transformado
em nada
cada parte de gente
se vai
se deixa levar
na fumaça
e chama
me inflama
me faz pedir
outra dose
eu olho o fogo
que toma as paredes
fantasmas largados em volta
debocham com risos
da minha derrota
mais um gole
as cores quentes
explodem vida
por todos os lados
eu assisto o espetáculo de dentro
cada livro porta vaso
transformado
em nada
cada parte de gente
se vai
se deixa levar
na fumaça
e chama
me inflama
me faz pedir
outra dose
25.8.09
muda
ela só queria viver
sorrisos
pular os pés deitados no caminho
e o dia ver
arder
seu reflexo na pele
e a noite vir
colher
as sombras e os sons da alma
e a vida dar
amor
a um mundo novo
seu espelho
sorrisos
pular os pés deitados no caminho
e o dia ver
arder
seu reflexo na pele
e a noite vir
colher
as sombras e os sons da alma
e a vida dar
amor
a um mundo novo
seu espelho
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talitas marias rebecas e outros clichês
24.8.09
eu espero a água bater nos meus pés antes de qualquer coisa. e enquanto a onda volta, levando a areia e afundando mes calcanhares alguns milimetros, eu olho pro céu. como se pedisse uma benção de lá. como se o vento pudesse me aceitar o corpo. me levar no braço. me soprar o rosto com outro ar. os primeiros passos que dou são curtos. e firmes. depois disso sou mundo. mergulho na certeza da água. e me quero soltar na calma e no fundo. e ser tão eu que seja tudo.
8.8.09
era tanta felicidade que não sabia. ria de piadas ruins. repetia as mesmas conversas. deu duas baforadas num charuto. brindou até com água. queria rir de tudo o que via. sorrir da vida. que tanto merecia sua disposição naquele dia. então comprou cahaça e pôs roupa bonita. saiu na rua sem ver sinais de fumaça ou nuvens pesadas. tanto fazia o quente ou o frio. tanto fazia. então foi. meio sem destino. atraiu alguns olhares estranhos. mas não ligou. até se ver dividido entre sorrisos compartilhados e rostos repressores. caiu. se viu feio e estranho. esqueceu o que sentia. derrubou a cachaça no chão e evitou os brindes. evitou até os sorrisos. se concentrou no tempo perdido. na vida e no estar que não pareciam mais ter graça alguma. era tudo tão escuro, apesar de branco. por duas vezes parou pra pensar. dormiu em pé por uma hora de duas semanas. e entendeu que estava perdido. sua alegria não se aceitava sempre. pediu desculpas pelo sorriso impróprio. e se retirou pra esquecer o dia mais alegre da vida.
6.8.09
gota só
uma gota de chuva encharca o sapato. pisa molhado. faz ondas nas poças. faz pouco do frio. e põe força nas pernas. que querem parar. ele não controla os pés. olha pra baixo. cego. para todos os lados. vê as penas dos pássaros caídas. queda leve que espera um vento levar. cego. para o próximo passo. vê apenas o espaço em que deve pisar.
espera o sol que a primavera insiste dizer que vai chegar.
espera o sol que a primavera insiste dizer que vai chegar.
31.7.09
oxford street
veio de onde eu menos esperava, um sopro bom de calor. me fazer corar. ver o tanto de presente e passado naquele cinza preto branco e também no inconfundível vermelho. era vida que não era linha. mesmo com a reta da rua. coisas que são. mesmo que pareçam estar correndo. paro pra deixar o sopro me atingir o peito e o rosto. e saber que london, london faz bem.
25.7.09
julho passa com chuva e sol numa mistura queu não entendo. meu nariz reclama. minha janela sem cortinas também. eu preciso correr. me molhar. jogar na água e deixar boiar. o peito sente o frio do tempo. o rosto não esconde as marcas do céu. sempre que me levanto as pernas balançam. como se aprendesse a andar nos últimos dois minutos. como se um beijo fosse capaz de me derrubar.
talvez quisesse me deixar cair. só prar ver levantar.
talvez quisesse me deixar cair. só prar ver levantar.
17.7.09
16.7.09
14.7.09
olha pra ela:
nega dourada
sambando de lado
esquecida do mundo
me chama com os braços
os lábios
o rebolado
me atiça o corpo todo
com esse balanço solto
do ombro e dos quadris
e se perde de mim
me deixa num canto
toma a festa toda pra ela
depois me volta cantando
um copo na mão
sorrindo, me olhando
eu não sei quem é ela,
nem sei o que quer
essa nega me aperta
me abraça, me leva
eu me acabo!
quero mais o quê?!
sambando de lado
esquecida do mundo
me chama com os braços
os lábios
o rebolado
me atiça o corpo todo
com esse balanço solto
do ombro e dos quadris
e se perde de mim
me deixa num canto
toma a festa toda pra ela
depois me volta cantando
um copo na mão
sorrindo, me olhando
eu não sei quem é ela,
nem sei o que quer
essa nega me aperta
me abraça, me leva
eu me acabo!
quero mais o quê?!
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talitas marias rebecas e outros clichês
12.7.09
estranhamente ela entendeu o que ele quis dizer com aquela sequência de palavras e gestos desconexos. entendeu também sua dificuldade em traduizr a idéia sentida em palavras ou outra forma sensível. o entendia. não que ele fosse um mistério. mas suas frases, longas soltas e agoniantemente repetitivas afastavam qualquer de qualquer um a compreensão.
9.7.09
3.7.09
- juro como não entendo. é um jeito de querer uma coisa depois outra. diz e se arrepende. não diz depois grita. o que é isso? fica dançando com as palavras, fazendo-as pipocar. explode as benditas em pequenas partes que nem chegam a fazer sentido. putaquepariu! memso quando tenta. com esse olhar perdido. os gestos acelerados, pra suprir a falta de sentidos, parece que não sabe o que procura.
- [...]
- [...]
30.6.09
zii e zie
eu postaria quase todo o novo disco de caetano aqui. aos poucos. à medida que uma música ou outra me fosse ficando mais próxima da vida. ontem sem cais, hoje lapa. anteontem já foi a cor amarela. uma trilha sonora que me é tanto e tão diferente hoje. me acerta em vários momentos. não sei se culpa do próprio caetano, ou de pedro sá e do resto da banda cê. ou da mistura. mas é melhor dizer logo tudo de vez a ficar pingando letras por dias seguidos.
29.6.09
se fez de sonso. fingiu que não era com ele. desejou tanto que não fosse que se perguntou se de fato seria, mesmo tendo certeza. abriu um sorriso. sorriso amarelo que se quer branco e sincero. para quebrar aquelas palavras no ar. quebrar-lhes o sentido que podiam fazer a qualquer ouvido, principalmente aos seus. cortar-lhes pela raiz, da boca mente espírito da moça vermelha que com elas lhe tirara o chão. passou direto, sem resposta maior que o sorriso. que se não foi a mais sincera, ao menos atingiu os objetivos.
ressenti
as gotas que pingam das folhas nas horas de sol. as curvas que custam firmeza e féao quebrar. os sopros de vento tão fortes de fazer virar. o calor a calma e o nada que fiz.
abre a porta, vai pra rua. e fica olhando. só pra ver movimento. pra ficar parado. pra não precisar. e quando faz isso, enquanto não sabe o que quer, se sente menos mais. e quando parece que um passo seria esforço. já foi mais longe do que imaginava. ali, naquela árvore grande. no parque que não foi da sua infância. na rua perdida do centro e do subúrbio. fora do eixo e do foco e do campo de visão. ele estava sentado. com duas idéias na cabeça que não se comunicavam, não se tocavam e nem se entendiam. foi assim que, com o fim do dia, se viu rodando solto o caminho de volta.
28.6.09
26.6.09
eu que já não posso ir
te peço pra acompanhar
leva ela embora pronde precisa chegar
caminha de lado,
mas deixa um espaço,
qué pra mão não encostar
e ela criar força
se segurar
não fala muito de mim,
que não sou mais importante.
fala do futuro
que existe prum lado depois.
e aí quando chegar lá
e ela se for indo,
diz que desejo sorte
sei que tudo vai dar certo.
manda um abraço,
não muito apertado,
só pra espantar o nervoso
e dá também um beijo na testa,
se os olhos pedirem apoio.
enxuga as lágrimas
alguma vai aparecer que sei
enxuga as lágrimas
quisso acalma o coração.
diz que a confiança queu tenho é no sonho
da menina que brinca com o sol
que tem dentro dela
que daqui o que faço é soprar
uns ventos frios e bons
pra se carregar qualquer coisa
pra ajudar
te peço pra acompanhar
leva ela embora pronde precisa chegar
caminha de lado,
mas deixa um espaço,
qué pra mão não encostar
e ela criar força
se segurar
não fala muito de mim,
que não sou mais importante.
fala do futuro
que existe prum lado depois.
e aí quando chegar lá
e ela se for indo,
diz que desejo sorte
sei que tudo vai dar certo.
manda um abraço,
não muito apertado,
só pra espantar o nervoso
e dá também um beijo na testa,
se os olhos pedirem apoio.
enxuga as lágrimas
alguma vai aparecer que sei
enxuga as lágrimas
quisso acalma o coração.
diz que a confiança queu tenho é no sonho
da menina que brinca com o sol
que tem dentro dela
que daqui o que faço é soprar
uns ventos frios e bons
pra se carregar qualquer coisa
pra ajudar
17.6.09
corpo
descasca a cor dos olhos pra ver amor
transluz a vida o vidro sem brilhar
esconde o sol das mão pra ser sorrir
e a luz ali não vai correr de nós
transluz a vida o vidro sem brilhar
esconde o sol das mão pra ser sorrir
e a luz ali não vai correr de nós
12.6.09
das linhas queu leio escrevo componho 5 são jogadas fora pra uma ficar. cada outra que escapa faz de um tudo pra voltar. caneta puxa tinta pra mão corre veia pro corpo. palavra que passa por toda pele antes de decantar pra parte de cima dos ombros. eu penso não penso não penso mais nada não chego em nenhum ponto.
7.6.09
ignição
às vezes penso que não sei mudar de passo. trocar de faixa. sair da linha (e voltar). com tantas luzes, tantas cores. é muita força queu não controlo. e a velocidade queu não entendo!
paro respiro fundo dou partida de novo. morro.
paro respiro fundo dou partida de novo. morro.
2.6.09
cinco passos dele, três dela. um pouco a diferença de tamanho, um pouco o esforço quele fazia para não pisar nas linhas. não fazia sempre, mas naquela calçada era inevitável. estivesse atrasado como fosse, corria apenas o suficiente para pisar uma vez em cada quadrado branco.
hoje ia com renata e com calma. conversavam sobre qualquer coisa desde a descida do ônibus. como sempre discordavam. mas naquela rua, seus argumentos iam no passoa das linhas em que não pisava. os dela, na pressa de o alcançar. as mãos não se davam. ela gesticulava, olhando mais para a rua que para a frente. os olhos dele no chão.
veio a esquina. o sinal. os carros correndo seu som de girar. pararam ali. esperavam silêncio e vermelho para continuar. não se olharam para confirmar, mas sabiam que a partir dali não discutiriam mais. assim como os quadrados na calçada justificavam os passos dele. ela tinha mania de deixar os espaços decidirem quando os assuntos se esgotavam. e cruzar aquelas portas a faziam mudar de assunto sempre. um comentário qualquer. sobre o piso, as escadas ou a janela. um 'vou ao banheiro', ou até o silêncio faria ambos esquecerem a conversa anterior. 'em que mesa?' serviu dessa vez.
sentaram ao canto. mesa pequena, sob a janela grande. a mesma de sempre. de frente um para o outro. capuccino e biscoitos, expresso duplo e croissant. outra conversa vazia. agora cheia de olhos e mãos. o filme que viram na semana passada ainda estava em cartaz.
hoje ia com renata e com calma. conversavam sobre qualquer coisa desde a descida do ônibus. como sempre discordavam. mas naquela rua, seus argumentos iam no passoa das linhas em que não pisava. os dela, na pressa de o alcançar. as mãos não se davam. ela gesticulava, olhando mais para a rua que para a frente. os olhos dele no chão.
veio a esquina. o sinal. os carros correndo seu som de girar. pararam ali. esperavam silêncio e vermelho para continuar. não se olharam para confirmar, mas sabiam que a partir dali não discutiriam mais. assim como os quadrados na calçada justificavam os passos dele. ela tinha mania de deixar os espaços decidirem quando os assuntos se esgotavam. e cruzar aquelas portas a faziam mudar de assunto sempre. um comentário qualquer. sobre o piso, as escadas ou a janela. um 'vou ao banheiro', ou até o silêncio faria ambos esquecerem a conversa anterior. 'em que mesa?' serviu dessa vez.
sentaram ao canto. mesa pequena, sob a janela grande. a mesma de sempre. de frente um para o outro. capuccino e biscoitos, expresso duplo e croissant. outra conversa vazia. agora cheia de olhos e mãos. o filme que viram na semana passada ainda estava em cartaz.
29.5.09
passou mais uma vez por aquela rua. queria sentir o adeus do cimento. das grades de ferro. dos portões elétricos. do vidro espelhado. e queria ter certeza de que não seria lembrado. nem pela sombra da árvore em que descansava. parado na esquina, seu pé já sentia estranho o pavimento. olhando em volta, os fios corriam retos. paralelos. outro plano de viver. viu mais pela última vez a casa em que se descobrira vivo. a janela, que antes ventava, fechou.
atravessou a rua sem saber se sentiria saudade.
atravessou a rua sem saber se sentiria saudade.
23.5.09
Tomava um café preto. Quente. Forte. Amargo. Cada gole descia como uma certeza que era mordida aos poucos. Ressentida cada vez que o líquido encostava a língua. Era a verdade que precisava ouvir. E ouvia por dentro, passando direto para o estômago, de onde se espalhava pelo resto do corpo. Estava se fortificando, se entranhando. Acabou a pequena xícara com a sensação de que não faltava mais nada para aquela tarde. Era o fim. Ainda que não passasse das cinco.
Pagou e saiu. Nem passou pela cabeça continuar naquela cadeira os pequenos minutos que costumava ficar. Os minutos em que olhava o mundo pela janela redonda e juntava coragem para viver o resto do dia. Se levantou. Andou um pouco mais do que de costume. E mais devagar. As paradas de ônibus estavam vazias. A rua se movia. O vento estava bom. O barulho também. E tudo que vinha parecia passar, um dia sem nenhuma cerimônia. Um dia que não passava em branco, tão azul que estava o céu.
Andou até o final da avenida para pegar o ônibus. Vazio. Três pessoas tão normais. Com as vidas e os olhos virados pra fora do ônibus. Não os viu descer, não viu ninguém mais subir. Da cadeira do corredor, no fim do ônibus, sentia apenas aquele calor do café. Nos pés, nas orelhas, batatas das pernas. Seus olhos azuis, tão negros. As curvas no caminho de casa, tão retas. Chegou às quatro e dez.
Não ligou o computador. Também não telefonou para a mãe. Colocou aquele disco de Nara para tocar e foi tomar banho. Tanta leveza na voz. O peso das gotas e do café no estômago. O calor da água e do corpo. Não era mais o choro. O canto livre. Os azulejos brancos sem nenhum desenho divisível. Cortou a fumaça e o espelho. Deitou na cama como estava. Água negra e pesada. Liquidez. A luz no quarto acesa balançou seus olhos. A cabeça como pêndulo. Ponto.
Não viu a lua nascer naquele dia. Desaparecia de toda a tarde sua luz.
Pagou e saiu. Nem passou pela cabeça continuar naquela cadeira os pequenos minutos que costumava ficar. Os minutos em que olhava o mundo pela janela redonda e juntava coragem para viver o resto do dia. Se levantou. Andou um pouco mais do que de costume. E mais devagar. As paradas de ônibus estavam vazias. A rua se movia. O vento estava bom. O barulho também. E tudo que vinha parecia passar, um dia sem nenhuma cerimônia. Um dia que não passava em branco, tão azul que estava o céu.
Andou até o final da avenida para pegar o ônibus. Vazio. Três pessoas tão normais. Com as vidas e os olhos virados pra fora do ônibus. Não os viu descer, não viu ninguém mais subir. Da cadeira do corredor, no fim do ônibus, sentia apenas aquele calor do café. Nos pés, nas orelhas, batatas das pernas. Seus olhos azuis, tão negros. As curvas no caminho de casa, tão retas. Chegou às quatro e dez.
Não ligou o computador. Também não telefonou para a mãe. Colocou aquele disco de Nara para tocar e foi tomar banho. Tanta leveza na voz. O peso das gotas e do café no estômago. O calor da água e do corpo. Não era mais o choro. O canto livre. Os azulejos brancos sem nenhum desenho divisível. Cortou a fumaça e o espelho. Deitou na cama como estava. Água negra e pesada. Liquidez. A luz no quarto acesa balançou seus olhos. A cabeça como pêndulo. Ponto.
Não viu a lua nascer naquele dia. Desaparecia de toda a tarde sua luz.
7.5.09
28.4.09
as coisas do dia de hoje vou deixar assim. vou deixar pra lá. esquecer aqui. vou passar por hoje todos os dias. e não vou lembrar. nem do dia nem das coisas. nem das cores do sol. vou andar sem certeza. vou bater nas esquinas. por onde sempre passei sem saber. vou apagar meu cigarro. pé firme no chão. deixar as cinzas. e queimar.
26.4.09
25.4.09
22.4.09
vida é o trânsito. organismo concreto e vivo das pessoas. tudo que corre vive! e todos corremos. pra bater nos outros. ou fugir disso. eu até tento parar. olhar as luzes de todas as esquinas e os barulhos sonzinhos do movimento. é uma intensidade que não cansa. que só move. que não pensa. que distorce.
eu pulo seguindo sentidos alheios!
eu pulo seguindo sentidos alheios!
20.4.09
17.4.09
16.4.09
passado dos corpos
se tu já tem outros braços
ao menos pare
de me oferecer os teus
prum abraço qualquer
num desses encontros casuais
preu nem lembrar
como é que os quatro
se sentem juntos
preu não precisar
me esforçar
pra não caber
preu não sentir tremer
quando eles,
mais uma vez,
sem nem se juntar
se separam
ao menos pare
de me oferecer os teus
prum abraço qualquer
num desses encontros casuais
preu nem lembrar
como é que os quatro
se sentem juntos
preu não precisar
me esforçar
pra não caber
preu não sentir tremer
quando eles,
mais uma vez,
sem nem se juntar
se separam
15.4.09
14.4.09
fui voltando. e voltando a ver as coisas. de um jeito, ao mesmo tempo, novo e usual. via como me acostumei a não ver, desde um certo dia de encontro com o sol. ia e via como são bonitas as belezas de todos os dias. as belezas das quais a gentese esconde. pra não ver. e fica achando que são elas que não se mostram. que se deixam perder.
voltei a ver. por trás das folhas. bem por cima de qualquer árvore de esquina. nos pés que têm chão. nauqele ar que a gente respira. sem preceber soprar. as coisas que tinha esquecido de reparar.
e nesse epifania de auto-ajuda ocular andei em ver.
e vi brilhos e transparências. e cores tão cheias de azul e vermelho. que o ar me soprou os pulmões. e o corpo todo. que levitei. no meio las luzes. no meio da manhã. e não fiquei asism.
voltei a ver. por trás das folhas. bem por cima de qualquer árvore de esquina. nos pés que têm chão. nauqele ar que a gente respira. sem preceber soprar. as coisas que tinha esquecido de reparar.
e nesse epifania de auto-ajuda ocular andei em ver.
e vi brilhos e transparências. e cores tão cheias de azul e vermelho. que o ar me soprou os pulmões. e o corpo todo. que levitei. no meio las luzes. no meio da manhã. e não fiquei asism.
12.4.09
8.4.09
arquivo antigo
the hands
they already know what to do
and even if they're as blind as our eyes,
they never forget where to find
a place to start.
they already know what to do
and even if they're as blind as our eyes,
they never forget where to find
a place to start.
6.4.09
talita me veio encontrar
numa rua em que passava desatento
trazia no rosto, dessa vez,
o mais aberto dos sorrisos
me levou para casa
me falou da vida
e me abriu as pernas
como em outras noites
me recebeu no corpo
pela primeira vez
no sorriso
em nenhum me quis habitante
ela me abriu então a porta
(com o sorriso
já não sabia mais o que fazer)
não me disse até logo.
eu também em silêncio
lhe dei um beijo no rosto
e segui
talita não é pessoa de ser metade
eu não sou pessoa de ser um
talita e eu fazemos de conta
numa rua em que passava desatento
trazia no rosto, dessa vez,
o mais aberto dos sorrisos
me levou para casa
me falou da vida
e me abriu as pernas
como em outras noites
me recebeu no corpo
pela primeira vez
no sorriso
em nenhum me quis habitante
ela me abriu então a porta
(com o sorriso
já não sabia mais o que fazer)
não me disse até logo.
eu também em silêncio
lhe dei um beijo no rosto
e segui
talita não é pessoa de ser metade
eu não sou pessoa de ser um
talita e eu fazemos de conta
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5.4.09
lâmina
corto. o fio invisível. da minha cabeça àquele corpo. rasgo. o resto do papel que fiz. e até as pedras. vejo queimar. e achando que sou vapor. vento. voo. risco o ar. tão depressa. tão sem força. qu quase explodo. no meio do todo azul. e todos os meus sentidos são um. e me deixo fluir.
corto os fios e a carne. penetro o ar.
corto os fios e a carne. penetro o ar.
3.4.09
o calor é a água que sai de mim. que me tira a calma de existir sem pressa. que me imprensa. me aperta. entre as decisões já tomadas. e no meio do sufoco eu me vejo de novo. e penso. de que servem as certezas de uma dia quente. desse verão vazio. que não acaba.
2.4.09
1.4.09
das coisas que sei
eu sei de tudo. e não ligo pra isso. me conforta saber que não adianta fazer nada. me acalma descobrir que não posso. não vou esquecer. nem vou lembrar. não vou fazer as pazes com chico. nem vou brigar com mais ninguém. eu sei de tudo. e brinco com minha própria sorte.
31.3.09
eu conto os tempos em vão. todos os dias me vêm com uma dor de cabeça. e aquela certeza queu não aceito. um mantra. uma falta de jeito. uma força. o coração bate. um compasso frouxo de não caber. desmorono.
eu perco o estilo.
eu perco o estilo.
30.3.09
terceiro
eu não tenho mais vergonha. não tenho certeza de nada. mas continuo. automático. passo por passo. caminho. sei que seguir é meu início. mas ainda olho pra trás. dias. palavras. pedras. e sinto o peso que perdi e carrego. é pesado o corpo que arrasto. pesada a lembrança que levo.
piso na terra sem sentir meus ombros.
piso na terra sem sentir meus ombros.
29.3.09
outro
Karina Buhr cantava a minha falta de vontade. durmi. passei o tmepo de uma noite, como se tivesse bocejado. fui acordado por aquele pássaro sem nome. pelo balanço das asas no ar. ele não pousou. nem cantou. não me disse nada. não tivesse sido acordado por aquelas asas e ele passaria desapercebido; como provavelmente passou por tantas outras janelas nessa manhã de domingo.
perdi a vontade de me perder.
perdi a vontade de me perder.
28.3.09
ando de um lado pro outro sem fazer barulho. passo o olho pelos lados. e sei que vou passar. cinco minutos atrás e era dia. todo o tempo do meu silêncio. e todo o resto. ficam.
e eu não sei o que fazer com essa noite.
e eu não sei o que fazer com essa noite.
27.3.09
26.3.09
esses são versos de prefácio
são primeiros passos
para um descaminho
em que não cabe mais o sol ou o vento
em que se esquece o som, a razão e o sentimento
são do muito que se descobre perdido
do tanto de verdade que se esconde cá dentro
são de mim
(e talvez/mas não) por isso pequenos
são primeiros passos
para um descaminho
em que não cabe mais o sol ou o vento
em que se esquece o som, a razão e o sentimento
são do muito que se descobre perdido
do tanto de verdade que se esconde cá dentro
são de mim
(e talvez/mas não) por isso pequenos
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