eu conto os tempos em vão. todos os dias me vêm com uma dor de cabeça. e aquela certeza queu não aceito. um mantra. uma falta de jeito. uma força. o coração bate. um compasso frouxo de não caber. desmorono.
eu perco o estilo.
Páginas
31.3.09
30.3.09
terceiro
eu não tenho mais vergonha. não tenho certeza de nada. mas continuo. automático. passo por passo. caminho. sei que seguir é meu início. mas ainda olho pra trás. dias. palavras. pedras. e sinto o peso que perdi e carrego. é pesado o corpo que arrasto. pesada a lembrança que levo.
piso na terra sem sentir meus ombros.
piso na terra sem sentir meus ombros.
29.3.09
outro
Karina Buhr cantava a minha falta de vontade. durmi. passei o tmepo de uma noite, como se tivesse bocejado. fui acordado por aquele pássaro sem nome. pelo balanço das asas no ar. ele não pousou. nem cantou. não me disse nada. não tivesse sido acordado por aquelas asas e ele passaria desapercebido; como provavelmente passou por tantas outras janelas nessa manhã de domingo.
perdi a vontade de me perder.
perdi a vontade de me perder.
28.3.09
ando de um lado pro outro sem fazer barulho. passo o olho pelos lados. e sei que vou passar. cinco minutos atrás e era dia. todo o tempo do meu silêncio. e todo o resto. ficam.
e eu não sei o que fazer com essa noite.
e eu não sei o que fazer com essa noite.
27.3.09
26.3.09
esses são versos de prefácio
são primeiros passos
para um descaminho
em que não cabe mais o sol ou o vento
em que se esquece o som, a razão e o sentimento
são do muito que se descobre perdido
do tanto de verdade que se esconde cá dentro
são de mim
(e talvez/mas não) por isso pequenos
são primeiros passos
para um descaminho
em que não cabe mais o sol ou o vento
em que se esquece o som, a razão e o sentimento
são do muito que se descobre perdido
do tanto de verdade que se esconde cá dentro
são de mim
(e talvez/mas não) por isso pequenos
25.3.09
ainda pequeno, bem novo, aprendi a entender. bem antes de tudo. e esqueci. crescendo descobri que sentia. muito. e me perdi. hoje é a verdade que me balança. é o queu aceito. é o que me alcança.
24.3.09
23.3.09
sinto que o sol entrou em mim. e fez morada. não pra aquecer e brilhar. fez queimada. vermelho tudo que não era. cinza o que já estava. vapor. nas bordas eu sinto me deixar o que já foi azul. e hoje seca. um desenho cortante que quero ver terminar.
ardor.
ardor.
22.3.09
505
é o calor. que me faz querer ficar naquela coisa. de não seguir. me ocupo com o suor. com as gotas que não quero verter. com o que quero correr. com os tempos que não controlo. e aí descontrolo. e mesmo quando bate o frio. ainda que rápido. só um sopro. deixo passar.
congelo em vez de inspirar.
congelo em vez de inspirar.
21.3.09
de volta
trasnformo em nuvem o que não quero ver. giro. contorço. refaço. procuro no azul a minha cor. faço-a pingar. pra ver escorrer. pra me transcorrer. me sujar as mãos e limpar o corpo. pra me cobrir daquela sombra. e depois descascar. desinsolar.
20.3.09
olho. a janela fechada e azul não me diz nada. aperto o olho. encaro. escancaro-a. para ver o que esconde em toda aquela luz que não me deixa passar. procuro absorver em cada poro o vapor do ar que não corre. que para. que inunda o quadrado da janela. depois transformo tudo num suor ao contrário.
quero o avesso do vento dentro da pele.
quero o avesso do vento dentro da pele.
19.3.09
de sétimo dia
uma folha cai
seca
da árvore
vejo um pássaro qualquer
queu não sei o nome
e tudo passa por mim
sombra, formiga, varanda
maisum dia
sem cerimônia
mais um dia
pra guardar lembrança
seca
da árvore
vejo um pássaro qualquer
queu não sei o nome
e tudo passa por mim
sombra, formiga, varanda
maisum dia
sem cerimônia
mais um dia
pra guardar lembrança
17.3.09
de carnaval
não era março nem inverno
mas a chuva caía ainda
calma e fria
como um último banho
de descanso e folia
antes das cinzas
mas a chuva caía ainda
calma e fria
como um último banho
de descanso e folia
antes das cinzas
16.3.09
14.3.09
pneumotórax
o rato tinha razão ao falar. essa vida é mesmo a mais marota! já gosta de dar voltas. a gente até para. respira. e depois continua. filosofia de bicho-gente. que num cansa de se reanimar. mesmo quando nem o tango argentino parece ajudar. a gente levanta a mão. e pede o prato do dia.
9.3.09
febre
dia sem chuva. fico em casa. não faço a barba. não tardo. deito. durmo. esqueço. assisto filmes ruins. não penso no quê mais. vejo a poeira levantar e baixar nos meus olhos. dentro das iris. vejo-a solidificar. prensar. desenterrar as peças que vejo cair. vejo mas não não monto. não mexo. não me mexo. nem penso.
preciso mesmo é parar de frescura.
preciso mesmo é parar de frescura.
daqui..
daqui do meu canto
eu conto minhas saudades
e tento soprar
algumas tristezas
pra longe
daqui eu vejo
as coisas todas que perdi
mas que não espero ver voltar
olhoatento para o caminho
tentando lembrar um jeito
de seguir adiante
de dar mais um passo
na direção do pé
na direção da fé
que tenho
nem sei mais em quê
daqui
eu sinto o vento:
ar que passa correndo
sem nem notar o tempo
que deixa passar
eu conto minhas saudades
e tento soprar
algumas tristezas
pra longe
daqui eu vejo
as coisas todas que perdi
mas que não espero ver voltar
olhoatento para o caminho
tentando lembrar um jeito
de seguir adiante
de dar mais um passo
na direção do pé
na direção da fé
que tenho
nem sei mais em quê
daqui
eu sinto o vento:
ar que passa correndo
sem nem notar o tempo
que deixa passar
6.3.09
"vida doce"
piso fora do quadro. saio do quadrado. ando pelas linhas. deixo-as cair. sobrevoo. pulo. contra a vontade do chão. com o impulso da mão. com a força que nem tenho. com a certeza de que não sei quando parar. de que não sei onde quero chegar.
termino pra começar.
termino pra começar.
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