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5.7.10
bom-dia
concordava em definitivo que não 'te amo' não é 'bom-dia'. e justamente por isso achava bonito a naturalidade com que ela conseguia dizer as palavras. chegou pensar que amava mais essa natureza que a ela. lia sempre seus recados em orelhas de livros, versos de fotos ou expediente das revistas dele. cada palavra era simples. crescia durante o texto curto. e dizia um 'eu te amo' maduro. ele relia cada deles de tempos em tempos. sobrava memória boa pra preencher de situação a tarde e o quarto. e quando de repente ouvia a porta abrir na sala, corria. abraçava e dizia 'eu te amo'. numa urgência e importância. numa carência de se mostrar. num jeito nem ensaiado, nem natural. num jeito que escapa de não se conter, quele nunca desconfiou a fizesse ocupar ruas e dias enquanto estava fora.
20.6.10
um dia aquela menina virou pra mim num bar. enquanto tomavamos cerveja, depois de um abraço e um 'há quanto tempo, tás bom?'. ela me estudava. eu disfarçava. um gole e ela me diz que um dia, bem em breve, a gente ia voltar a fazer isso com naturalidade e frequência. eu e a amiga dela não estariamos pra sempre distantes. eu parei de disfarçar. sorri. sabia que sim. um laço. um roubo. e um fato. vivemos mais e comprovamos. é como se a gente escutasse música juntos, todos os dias, uma horinha.
17.6.10
8.6.10
7.6.10
6.6.10
eu viajo
a partir de hoje esse blog também pode ser, oficialmente, um diário (um caderno de vida, já que não dá pra chamar de viagem). me impulsionou a vontade, ou a cobrança. ou simplesmente os tantos minutos de ‘viajo porque preciso, volto porque te amo’, que assisti no último domingo. minha primeira ida ao cine glauber (quase uma versão baiana da fundação), e sozinho – nem sei se por opção ou falta de esforço – mas felizmente sozinho.
em casa me perguntaram o que achei do filme. e pense que foi difícil dizer. por isso escondi esse post nalgum lugar, circulando, antes de conseguir escrever. mas fato é que praticamente não vi o filme: achei chato, confuso, e meio vamos arranjar alguma coisa pra justificar o dinheiro que gastamos viajando e fazendo essas imagens todas que estão completamente desconexas. mas ainda assim, acho ótimo que aquelas imagens tenham sido costuradas daquela forma e com aquela narrativa inventada pra justificar o dinheiro gasto.
sei que não pude parar de viajar eu mesmo no meu lugar. e pela primeira vez desde há muito tempo, parece que aceito meu despropósito. e sinto por isso. sinto que meu sertão é mais deserto, e nem as putas da estrada aparecem nesses últimos dias. sinto isso e sei que não viajo porque preciso. sei que não volto. eu amo? o geólogo não sabe fazer cartas de amor, mas ainda se arrepende. solta a vida pra buscar de novo. eu hoje não sei dizer.
eu não pulo daquela rocha em acapulco.
em casa me perguntaram o que achei do filme. e pense que foi difícil dizer. por isso escondi esse post nalgum lugar, circulando, antes de conseguir escrever. mas fato é que praticamente não vi o filme: achei chato, confuso, e meio vamos arranjar alguma coisa pra justificar o dinheiro que gastamos viajando e fazendo essas imagens todas que estão completamente desconexas. mas ainda assim, acho ótimo que aquelas imagens tenham sido costuradas daquela forma e com aquela narrativa inventada pra justificar o dinheiro gasto.
sei que não pude parar de viajar eu mesmo no meu lugar. e pela primeira vez desde há muito tempo, parece que aceito meu despropósito. e sinto por isso. sinto que meu sertão é mais deserto, e nem as putas da estrada aparecem nesses últimos dias. sinto isso e sei que não viajo porque preciso. sei que não volto. eu amo? o geólogo não sabe fazer cartas de amor, mas ainda se arrepende. solta a vida pra buscar de novo. eu hoje não sei dizer.
eu não pulo daquela rocha em acapulco.
5.6.10
30.5.10
o qué que muda quando a gente se muda. eu vejo outros cantos pensando nos mesmos contos. mas não. revejo carências e me sinto propenso a repensar. talvez algumas conversas fossem diferentes hoje. e os resultados os mesmos. ?. eu sei que não quero mais as certezas que tinha. pra poder diminuir meu longo prazo pra alguns meses. e viver de temporadas. deixando a garrafa levar o barco. sem perceber que só gira no mesmo lugar.
24.5.10
21.5.10
20.5.10
eu vejo
das quatro janelas que pus no quarto vejo reflexos diversos da vida. vejo brilhos distintos de tempo. e passeio por todos os passados. passo eu, em lugar da rua. pela saudade que carrega cada pedaço rasgado, cada abertura. e tento não pensar. só passar. só queimar no peito as luzes fortes. de mares e olhos.
e sem nunca fechar qualquer delas. deixo a vida toda ventar.
e sem nunca fechar qualquer delas. deixo a vida toda ventar.
16.5.10
quasequinze
o que o dia pede eu peço a mim mesmo
nas quinze horas
de sono acumuladas pra viver
nas quinze horas
de um dia que morre
eu vejo tudo de novo e paro
e vejo tudo de novo
em luz e muito branco
estouro
os lugares por onde andei em mim pulsam
e pulam bagunçam certezas de quinze minutos
e peço de mim o que o dia me pede
nas quinze horas
de sono acumuladas pra viver
nas quinze horas
de um dia que morre
eu vejo tudo de novo e paro
e vejo tudo de novo
em luz e muito branco
estouro
os lugares por onde andei em mim pulsam
e pulam bagunçam certezas de quinze minutos
e peço de mim o que o dia me pede
15.5.10
6.5.10
doméstico
tomei na noite passada as cervejas que tinha guardado pra tua vinda. comprei outras dpeois, que cê inda vai encontrar na geladeira. mas o fato é que bebi as suas. mas cê sabe. ontem fiz uma faxina de livros, revistas e vida. bem dessas que a gente não consegue fazer a palo seco. ou com a garganta seca, que seja. estavam ótimas. véu de noiva, como cê queria, e como não sei se essas outras estarão quando cê for beber. os cigarros tão na gaveta da direita da mesa se estudo. não mexa em mais nada. meus papéis estão ordenados. esteja em casa, eu volto já. fui comprar uma mesa de cabeceira que não acho que preciso.
22.4.10
berenice me disse que não se perdoaria. e eu que sabia que era verdade sorri. escrevi um =p num guardanapo da mesa e passei ao outro lado. sei que seria impossível a ela viver ignorando esse fato. não esquecia nada. nunca. tinha a memória queu jamais invejei ter. eu que me lembro, mas gosto de esquecer. sabia nomear todos os filmes que vimos juntos em três anos passados. e com quem estávamos todas as vezes que nos cruzamos naqueles shows da ceninha, em que ela trabalhava e eu só bebia. era assim que ela vivia. e hoje, tendo dito o que disse, eu soube que não era mentira. por isso a risada e o recado. pra que também ficassem guardados. pra que fossem sempre associados a sua falta de perdão. como sei que ficariam. já que de tudo ela se lembrava. eu é que dali a três outros anos, quem sabe, lembraria mais do =p no guardanapo que de qualquer falta que ficasse sem perdão.
17.4.10
por pouco não escrevo um post sobre o todo
culpa de amaranta
que em tudo me pergunta
o quanto eu sei acredito e vejo
no tanto que desejo
e se eu pergunto quem sabe
se cabe
ou como sente
não sei se quero resposta
sei que quero uma noite
uma vida
outra coisa que sinta
uma conversa que alonga
e um pouco de tudo
e que é tudo o que a gente pode querer
que em tudo me pergunta
o quanto eu sei acredito e vejo
no tanto que desejo
e se eu pergunto quem sabe
se cabe
ou como sente
não sei se quero resposta
sei que quero uma noite
uma vida
outra coisa que sinta
uma conversa que alonga
e um pouco de tudo
e que é tudo o que a gente pode querer
10.4.10
num dia escolheu ser branco. acompanharia a vida dessa forma. se quis fazer branco pra sempre. e seguir. esquecce um detalhe simples. esqueceu que o branco carrega em si todas as cores. e o peso disso dentro dele não cabia. desabou branco na esquina. sangrou verde e azul. voou pedaços de amarelo e vermelho. a chuva caiu e varreu.
juntou-se novamente em algum bueiro da cidade branco.
juntou-se novamente em algum bueiro da cidade branco.
9.4.10
entranhei
estranhei a rua. essa chuva não para e o frio parece que chegou. caminho poucos pingos. e passo as prateleiras com cara de quem comeu mais do que deveria. a notícia de um sanduíche me dá água nos olhos. e eu choro a beterraba desifratada. o coalho e o parma. e a volta carrega o leite e o coração na sacola. e não é saudade. é o peso da escolha. e o que não é mais estranho está tão dentro que incomoda. não se desloca mais.
solto no chão a certeza de que alheio sou eu.
solto no chão a certeza de que alheio sou eu.
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