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25.11.12
Como se nada existisse, ela me olhava. Eu não dizia nada. Ficava na minha. Era coisa que ela fazia; isso de me encarar. E era uma coisa tão dela que simplesmente deixava. Aí depois de um tempo, depois de eu quase enrubescer, alguma coisa besta puxava a conversa. Normalmente ela mesma, só pra tentar me deixar constrangido, comentava que eu não conseguia me deixar – eu sempre entendi que a palavra ‘olhar’ completava essa frase sem que fosse necessário pronunciá-la.
Nessa noite ela me olhou sério. Eu fingia vergonha, como já fiz outras vezes depois de perceber que era isso o que a fazia sair do quase transe de me observar. Marcela me falou que percebia meu fingimento.
– Tu sabe por que eu te olho tanto?
– Não. Na verdade nunca me perguntei.
– Eu mesma sempre me pergunto. Fim das contas acho que é pra te conhecer. Tu não consegue se deixar. E assim eu fico achando que não te conheço.
Eu fiquei surpreso. Não sabia o que falar; se é que há algo que se possa dizer. Tentei jogar um ‘mas nem eu mesmo me conheço’, mas ela me cortou. Se fosse isso não seria problema. O problema, ela disse, é que parece que eu finjo sempre, que me escondo. Depois disso não disse mais nada. Nem ela nem eu. Não sei o que se subentendeu, nem penso nisso. Eu só queria acabar com aquela conversa. Ela precisava sair, tinha aula. Eu ia ficar em casa, fingindo que estudava enquanto via vídeo na internet.
29.10.11
20.8.11
24.4.11
18.3.11
15.3.11
2.3.11
25.1.11
de sol
como nunca na vida, acordou cedo. tão estranho naqueles dias, o sol apareceu. era coisa difícil de entender, mas aceitou. quem sabe era a vida virando sonho. daqueles doces, bons, de se lambuzar. então se levantou. abriu a cortina a janela e os braços. e sorriu. era um pedido-prece. presse despertar ser sempre assim!
10.1.11
ano novo, de novo
ainda não é março. não é 22 de nada. mas eu, que não acredito em epifanias, vejo tudo com outras cores. me vejo novo no mundo inteiro. me lembro - e acho graça - de algumas certezas, de alguns pensamentos. eu sinto, com a pele e o coração. penso com outra cabeça. eu penso mais que isso. mas não quero falar.
eu quero, eu quero é viver.
eu quero, eu quero é viver.
24.10.10
obsessivo-possessivo
se tinha um problema sério com as palavras em geral, ficava especialmente desconfortável com os pronomes. difícil não perceber como ficava constrangido e sem rumo quando enfrentava a leitura ou era obrigado a utilizar em uma frase de um integrante do grupo gramatical em questão. não gostava nem um pouco do poder que os benditos tinham de querer incorporar a força das demais palavras e significados. não gostava nem um pouco de pronomes, definitivamente.
27.9.10
pigarro
sabia que da vida alguma coisa ficava. prendia assim mesmo mais do que podia conter. reusltado é que no engasgo mais que natural lhe doia mais a pele que a espinha. e aí que tossia, com força, pra rasgar da vida os instantes que gravou nas paredes do esôfago, no pâncreas. e se muito conseguiu foi uma gastrite.
respirar é preciso, mas quemd isse que a gente sabe.
respirar é preciso, mas quemd isse que a gente sabe.
algumas noites em salvador me alimentam. não se e a noite, a cidade ou a varanda. ou mesmo algum nutriente que paire no meio de tudo isso. sei que há nesse estado de coisas e nesse ar algo que me reflete. e eu sou ali. na noite, na cidade e na varanda. parado. e por mais que pense mil coisas bestas ou sérias, apenas passo pelas ideias.
eu cresço com o simples ato de ser ali.
eu cresço com o simples ato de ser ali.
23.9.10
21.9.10
19.9.10
café demais cigarros de menos
eu puxo pelo rabo cada pedaço de palavra que escrevo. uma resenha essas coisas todas que me querem fugir. e eu, ainda mais, que quero fingir que quero estar aqui. que quero pular essa parte toda. de falar falar falar. balanço o joelho pra deixar as coisas pisadas no chão. uma ponta de cigarro na calçada. esmagada. coma força da ponta do pé na sandália. e nada. às vezes. quase sempre. eu queria ser só o ensaio. e nada. pra cuspir longe meus caroços de melancia. e nada. e poder dizer com toda a naturalidade da vida.
dizer bom dia e ver a fumaça da vida passar.
dizer bom dia e ver a fumaça da vida passar.
18.9.10
arreperreio
a barba cresce na velocidade dos dias. e falta pagar a água de coco do café da manhã. falta lembrar dos ovos e das borboletas soltas presas em seus casulos. mas quando a gente tem vontade. tem medo. e o sono da tarde vem tomar as noites. e aí nem adianta mais pedir. a disposição pra todas as coisas do mundo é pouco pro dia de hoje.
e eu só espero que o gosto do mirtilo dure um pouco mais na boca.
e eu só espero que o gosto do mirtilo dure um pouco mais na boca.
8.9.10
na caixa azul
ali no cantinho
achei uma fita amarela
quera pra ser lembrança dela
mas fica guardada em mim
achei uma fita amarela
quera pra ser lembrança dela
mas fica guardada em mim
1.9.10
chico e caetano
eu sou bipolar. e fico vendo acontecer, como se uma terceira pessoa, meus dois eus. e vejo uma briga que não para. a não ser quandeles escutam chico e caetano ao mesmo tempo. o nervoso acalma. e o contido salta.
23.8.10
eu sinto
eu sinto, desde ontem, quando as coisas pulam. como o sol minha cabeça. como crianças no balanço. com eu sem âncora.eu sei que tneho a noite toda. e por isso a aguardo chegar. a deixo passar. pra ver o tamanho do mundo. antes. pra ver o que eu posso. eu sei que é só.
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